Policiais, sobretudo militares, não faltaram ao episódio de anteontem, em frente à Santa Casa de Franca, enquanto Antônio Fernando Rezende ameaçava se matar. Nas seis horas e meia em que Rezende parou o centro da cidade, oito viaturas da PM podiam ser vistas posicionadas, com dezenas de policiais empenhados em evitar o pior. Também não faltaram curiosos de todos os tipos.
Foi uma arma, não desconhecida, mas inexistente em Franca, que botou fim à pendenga e, por que não, ao sofrimento de Rezende. A pistola que dispara choques de 50 mil volts foi a salvação apresentada pela Guarda Civil de Guaíra, cuja viatura, em alta velocidade e giroflex ligado, entrou pela Rua Capitão Zeca de Paula e chegou como a cavalaria chega nos filmes de faroeste.
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Nesse meio tempo, muita gente não se importou em ficar horas sob o sol a pino olhando a movimentação, fixando-se no plástico escuro colocado pela direção do hospital para preservar a situação. Não deu muito certo. Quem passou pelas imediações da Santa Casa deparou-se com muitas pessoas paradas no meio da rua, falando ao celular. Outras, que nem sabiam o que acontecia, paravam do mesmo jeito. E assim a multidão e a confusão foram se formando.
A todo instante, alguém procurava o comando da polícia dizendo ser amigo ou parente de Antônio Rezende com oferta de ajuda. Sem cerimônia, religiosos também chegaram perto. "Eu quero que ele viva. O `coisa` ruim, a tentação, quer a morte, sim. Ele está possuído pelo espírito mal, mas pretendo fazer uma oração para ele", disse Nilza Ferreira Souza, que afirmou ser espírita.
O obreiro Hélio Ferreira disse aos policiais que poderia ajudar. "Se eu entrar, vou colocar Jesus no coração desse homem. O que está acontecendo é uma coisa diabólica, uma guerra espiritual". Não conseguiu.
Depois do disparo com a arma dos guardas de Guaíra e da gritaria dos policiais, muita gente, mesmo sem ver nada, aplaudiu sem ter a menor idéia do que havia ocorrido. E assim todos foram embora satisfeitos.
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