Guerra sem vencidos ou vencedores


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É uma guerra diferente: não entre países ou entre partidos, ou entre pessoas. Mas é uma guerra. Não há vencedores, apenas vencidos. Há algumas causas básicas de acidentes de trânsito em Franca. Falta de educação e de civilidade, por exemplo, são fatores que estão na raiz do problema. O motorista não respeita a vida do próximo. E por causa disso não respeita as leis do trânsito. Excesso de velocidade, tráfego na contramão, faróis altos no rosto do motorista que vem em direção contrária são alguns exemplos. Mas há ainda outro fator de base: a imaturidade emocional que provoca as corridas, os “rachas”, a competição, enfim. E a idéia inconsciente de que o motorista do carro ao lado ou o pedestre é um adversário que precisa ser vencido. Além disso, nas rodovias que ligam a Franca, existem os acidentes causados pelo cansaço, pelo sono ou pela embriaguez. Muitos, também, pela ingestão de tóxicos. Tudo o que se disse até aqui entra no capítulo dos acidentes por falha humana. Afora as falhas humanas existem outros fatores causadores de acidentes: más condições das vias, falta de sinalização e planos traçados erroneamente quanto à mão e contramão. Some-se a tudo isso grande dose de irresponsabilidade por parte dos motoristas. Há os que bebem em excesso e saem dirigindo com os filhos dentro do carro. Acidentes como os que ocorrem com freqüência em Franca, ceifando vidas preciosas, deveriam ser preocupação de todos, principalmente do governo municipal. Em diversos países a educação no trânsito faz parte do currículo das escolas de primeiro grau. A educação dos motoristas e pedestres - absolutamente natural para eles - chega a espantar o turista brasileiro. Basta colocar o pé fora da calçada, numa das faixas para pedestres de qualquer cidade européia, e os carros param imediatamente. Ninguém ultrapassa a velocidade permitida. Ninguém faz conversões proibidas. Ninguém deixa de ligar setas indicativas de direção. Ninguém ultrapassa pela direita. Tudo isso evidencia grande respeito pela vida humana. A Prefeitura de Franca precisa urgentemente iniciar uma campanha para sensibilizar os motoristas sobre acidentes de trânsito. Medidas enérgicas para coibir “rachas” nas principais avenidas da cidade, para isso montando um esquema em conjunto com a Polícia Militar e espalhar outdoors alertando sobre o risco de dirigir em alta velocidade. Multar apenas, está provado, não resolve. FALTA DE SINALIZAÇÃO Aproveitando o assunto, um alerta ao departamento de trânsito da Prefeitura. O cruzamento das Ruas Coronel Tamarindo e General Carneiro, proximidades do Clube dos Bagres, caracteriza um ponto negro do trânsito local. Quem trafega pela Coronel Tamarindo não enxerga o “Pare” colocado na esquina porque uma árvore o encobre. Com isso, cruzam a rua sem parar e os choques são inevitáveis. Moradores e comerciantes estão preparando um abaixo-assinado para pedir providências urgentes. INSEGURANÇA Assalto a supermercado com tiroteio; comerciantes roubados e mantidos como reféns em casa; balas perdidas atingindo inocentes; lotérica assaltada em frente ao posto móvel da PM do Centro; joalheria invadida por marginais que na fuga trocam tiros com policiais em plenas 11 horas da manhã na praça central. Tudo isso aconteceu em Franca nos últimos dias. Somos, hoje, uma cidade à mercê da violência. Nossas autoridades precisam agir com rigor e urgência para devolver às pessoas o direito de trabalhar e viver sem serem agredidas, seqüestradas, assaltadas e mortas. Precisam ouvir grupos ou cidadãos que tentam, desesperadamente, sugerir medidas. A continuar assim, logo teremos criancinhas sendo arrastadas e esquartejadas. DENGUE Flagrei dia desses conversa de uma professora com uma amiga. Estava ela revoltada porque agentes sanitários estiveram em sua casa e a orientaram para não deixar água nos vasos com plantas, pois isso poderia atrair o mosquito da dengue. Fiquei a imaginar as dificuldades que os agentes vetores encontram para convencer que a dengue, mesmo na forma clássica, é doença séria e que pode matar. Alguns casos foram detectados em Franca, apesar de não vivermos uma epidemia. A dengue é um sério problema de saúde pública no Brasil, onde as condições do meio ambiente aliadas a características urbanas, favorecem a proliferação do Aedes aegypti. DR. JOAQUIM E A LIBERDADE DE IMPRENSA O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro, expulsou a imprensa do plenário. Oras bolas, Dr. Joaquim. A liberdade é uma condição inarredável para o pleno exercício do jornalismo. O objeto do jornalismo é a história do presente. Não é por acaso que o jornalismo alimenta paixão insaciável pela liberdade, da qual tanto defende e depende. Para os jornalistas, a defesa da liberdade de imprensa não é apenas princípio, é também questão de sobrevivência. O uso da força, o abuso de poder, as ameaças veladas ou não, o assédio moral para impedir o acesso e difusão da informação ameaçam a democracia. Os jornalistas francanos não podem ficar passivos e nem se intimidarem diante desta situação. Devem ainda, em conjunto com a sociedade, lutar pelo respeito aos interesses públicos e ao direito constitucional de informar com ética e qualidade. Prezado presidente, lembre-se que podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que semeamos. DIA MUNDIAL DA ÁGUA Hoje se comemora o Dia Mundial da Água. Em diversos lugares do planeta milhares sofrem com a falta desse bem essencial à vida. Em breve teremos uma guerra em busca de água potável. O Brasil, privilegiado, tem 11,6% de toda a água doce do planeta, o maior rio do mundo - o Amazonas - e o maior reservatório de água subterrânea do planeta - o Sistema Aqüífero Guarani. Temos a obrigação de mudar nossos hábitos, diminuir a poluição, o consumo e evitar desperdício de água para não comprometer a nossa própria sobrevivência. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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