Cirurgias de esterilização do SUS diminuem na região


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Secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, acredita que o Estado é responsável pela queda de cirurgias na região. “Demanda tem, falta o Estado atender”
Secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, acredita que o Estado é responsável pela queda de cirurgias na região. “Demanda tem, falta o Estado atender”
O número de cirurgias de vasectomia e laqueadura realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) tem diminuído na região de Franca. Na comparação entre 2006 e o ano passado, foram 236 procedimentos a menos. A maior queda foi no total de vasectomias (esterilização de homens), que caiu de 395, no primeiro ano, para 193 cirurgias em 2007, uma diferença de 51,14%. As laqueaduras (esterilização de mulheres) diminuíram de 96 para 64. Para a Secretaria Estadual de Saúde, a queda de operações na região não é preocupante e reflete uma baixa demanda na procura pelo serviço ou ainda a mudança de métodos de planejamento familiar, como a opção de um maior uso de pílulas anticoncepcionais. Embora a secretaria afirme não se preocupar com a queda dos procedimentos na região de Franca, que compreende operações realizadas em Franca, Ituverava, Morro Agudo, Patrocínio Paulista e Pedregulho, os dados locais estão na contramão dos números estaduais divulgados nesta semana. No balanço recém-concluído pelo governo, somadas, as cidades do Estado apresentaram crescimento de 11,5% no número de cirurgias dessa natureza. A justificativa para o aumento foi creditada aos esforços compartilhados entre Ministério da Saúde, Estado e municípios para ampliar a oferta desses procedimentos no SUS. Em agosto do ano passado, o Estado também disse querer, até 2010, dobrar o número de atendidos. Alexandre Ferreira, secretário municipal de Saúde de Franca, contesta as afirmações da Secretaria Estadual referentes à cidade e diz existir, sim, uma demanda pelas cirurgias de esterilização de homens e mulheres. “Demanda tem, porém o Estado não realiza as cirurgias. Todo mês, mandamos pacientes para a fila de espera que não pára de crescer”. Ferreira não soube dizer quantos pedidos de vasectomia e laqueadura são enviados mensalmente para a DRS-8 (Departamento Regional de Saúde). O secretário responsabilizou ainda o governo do Estado pela queda do número de cirurgias na região e disse que a tendência é o total de procedimentos diminuir ainda mais neste ano. “Antes o contrato do SUS com a Santa Casa previa a realização de 200 cirurgias por mês, agora são somente 180. E não são somente cirurgias de vasectomia e laqueadura, esse total envolve todas as outras cirurgias eletivas”. COMO FUNCIONAM As cirurgias de vasectomia e laqueadura são consideradas eletivas (não emergenciais) e necessitam de preparação dos candidatos, que aguardam a autorização da operação numa fila de espera. Para realizar a laqueadura ou ligadura de trompas, a mulher precisa ter mais de 25 anos ou ter dois filhos vivos. As mesmas regras valem para os homens na hora de optar pela vasectomia, procedimento esse que não necessita de afastamento pós-operatório e tem duração média de 30 minutos. Em Franca, o paciente deve passar primeiro por uma UBS (Unidade Básica de Saúde), onde preencherá um termo de concordância e será avaliado por médicos e psicólogos. Depois, ele será encaminhado para fazer o credenciamento da cirurgia. “Antes o programa de planejamento familiar era centralizado num só lugar. Por causa da procura, ampliamos os locais de atendimento e o programa já funciona em quatro unidades de saúde, uma em cada canto da cidade. Portanto, há demanda pelas cirurgias, falta o Estado atender”, disse Ferreira.

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