Durante seis horas e 34 minutos, um homem armado com uma faca mobilizou, ontem, toda a polícia e paralisou o Centro de Franca. Antônio Fernando de Rezende, 43, ameaçava se matar e alegava estar sendo perseguido por inimigos e pelo exército chinês. Ele sofre de problemas mentais e havia sido levado à Santa Casa para ser examinado por um psiquiatra. Na porta do hospital, recusou-se a descer do carro da família e sacou uma faca que trazia em uma bolsa. A negociação foi complexa e só chegou ao fim após o homem ser atingido por descarga elétrica emitida por uma arma de eletrochoque.
O aposentado Getúlio Rezende levou o filho, esquizofrênico, a um médico, que recomendou sua internação no Hospital Alan Kardec. Para isto, deveria passar por um especialista na Santa Casa e pegar a guia. Eram 10 horas quando chegaram com um Santana vinho diante da entrada do pronto-socorro. Antônio estava no banco de trás.
Antônio teria, então, desconfiado da internação. Sacou uma faca que trazia escondida de casa e afirmou que não sairia do veículo. A todo o momento, colocava a lâmina no próprio pescoço e dizia que se mataria caso alguém se aproximasse. A Polícia Militar foi chamada e deu início à negociação. “Inicialmente, ele não queria conversar com ninguém. Aos poucos, fomos adquirindo sua confiança. Foi uma situação difícil, pois a pessoa com deficiência mental desconfia de tudo”, contou o tenente Waltercir, responsável pelos primeiros contatos.
Em poucos minutos, dezenas de curiosos se aglomeraram. Foi preciso a PM bloquear o tráfego de veículos em parte da Rua Marechal Deodoro. Para que Antônio não ficasse ainda mais agitado com a movimentação, o carro foi cercado com duas lonas plásticas.
Antônio relutava em se entregar e não fazia nenhum pedido específico. Desconfiado, não largava a faca. “Ele dizia o tempo todo que o exército chinês iria invadir o Brasil, que o mundo estava correndo riscos, que havia bombas em Franca e que elas seriam detonadas”, disse.
O fato do rapaz estar no banco de trás e o carro ter apenas duas portas dificultava os trabalhos. As 14h30, o momento mais tenso. Aproveitando-se de um descuido de Antônio, os policiais tentaram imobilizá-lo. Ele conseguiu escapar e tentou agredi-los com a faca. Mesmo com o uso de gás pimenta não se rendeu.
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As negociações não evoluíam e Antônio dava mostras de que não desistiria. Foi quando o investigador Amato, do GOE (Grupo de Operações Especiais), lembrou-se de um amigo que trabalha na Guarda Civil de Guaíra, que conta com a Taser, arma de eletrochoque. Os policiais resolveram acioná-lo. Com a autorização do prefeito daquela cidade, uma equipe se deslocou para Franca.
Chegaram à Santa Casa às 16h30. Enquanto o grupo encarregado da negociação distraía Antônio do lado esquerdo do Santana, o guarda civil Paulo Sérgio se aproximou do outro lado e efetuou um disparo. O rapaz deu apenas um grito e ficou imobilizado. Eram 16h34 quando a ocorrência chegava ao fim. Antônio foi levado para dentro do hospital e medicado. No início da noite, foi internado no Alan Kardec.
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