Quem entra na propriedade do cafeicultor Joaquim Antônio Rodrigues, 52, na zona rural de Ibiraci (MG), logo percebe algo diferente. Mais de 800 carneiros andam tranqüilamente em meio ao cafezal que fica na Fazenda Catiguá, a 11 quilômetros de Ibiraci.
É lá que eles passam todos os dias percorrendo os 89 hectares da plantação. Desde que os carneiros chegaram, há quatro anos, o cafezal de Rodrigues nunca mais precisou ser capinado. Dos carneiros, não escapa um capim. O som na plantação de Joaquim também é diferente. Quando um filhote se perde da mãe é um Deus-nos-acuda. É um berreiro sem fim. Nada, porém, que incomode o produtor.
O cafeicultor conta que a idéia de introduzir os bichos em meio à plantação surgiu durante uma conversa com um israelense que conheceu em São Joaquim da Barra e que mexia com café. “Ele disse que achava estranho como a gente lida com o mato. Que jogamos veneno para matar e que eles usavam o carneiro para limpar a plantação. Tempos depois ele voltou para o país dele e eu fiquei com aquilo na minha cabeça. A idéia foi amadurecendo e resolvi experimentar”.
Decisão tomada, o cafeicultor comprou 18 animais e soltou no meio da plantação. “Fiquei com medo de eles comerem a plantação de café. Mas não foi o que aconteceu”. Rodrigues gostou tanto do resultado que comprou mais 37 animais no mesmo ano. Os animais foram comprados no interior da Bahia de onde vem a maioria dos catadores de café que trabalham na lavoura de Rodrigues.
O rebanho foi procriando e crescendo a cada dia. “Antes eu tinha que pagar para limpar a lavoura. Agora são os carneiros que fazem isso e minha plantação está sempre limpinha durante o ano todo”. Só nos tempos de seca é necessário reforçar a alimentação dos animais com a introdução de ração. Os filhotes que, eventualmente, se perdem das mães ou são rejeitados são alimentados com mamadeira. O rebanho só não aumenta por falta de espaço. “Estou no limite, pelo tamanho da plantação não é possível ampliar o número de animais. Se não fosse por isso, eu comprava mais”.
[FOTO2]
DINHEIRO EXTRA
Além de economizar com a mão-de-obra, o cafeicultor ainda está ganhando dinheiro com os carneiros. Como não pode aumentar mais o rebanho em razão do espaço, ele passou a abater os machos. Por mês, são vendidos até 18 animais a R$ 100 cada. Os abates são feitos sob encomenda e aumentam a cada dia. As matrizes (fêmeas vivas) são vendidas a R$ 200.
Os carneirinhos de Joaquim também estão chamando atenção de outros cafeicultores. “Dois cafeicultores de Cássia e um vizinho meu também vieram conhecer [o sistema] e começaram a criar os carneiros. Estão gostando do resultado”, orgulha-se.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.