A história sempre mostrou que a falta de conhecimento é um prato cheio para os espertos. Lembro o caso Caramuru, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido por Anhangüera, em sua busca desenfreada de riquezas para a coroa de Portugal, ameaçou colocar fogo nas águas, caso os índios se negassem a lhe dizer o caminho das pedras preciosas e do ouro. O pajé acreditava que Tupã (Deus dos índios) não poderia conceder-lhe tal poder e deixou isso claro para ele. Bartolomeu então, usou um artifício. Pegou aguardente, que se assemelha a água e ateou fogo. O pajé e os índios o chamaram então de “Caramuru”, que quer dizer “diabo velho”. Com medo de ver o povo morrendo de sede, decidiram liberar o caminho das riquezas. E continua, até hoje. Os “lobos famintos” lutam para que a massa não tenha cultura e que, disso, resulte a possibilidade de corrupção. Nós também temos a nossa parcela de culpa. Colocamos crianças no mundo e nos preocupamos em dar-lhes apoio material, nem que para isso tenhamos que trabalhar dia e noite. Quanto a carinho e afeto, esquecemo-nos. Dizem os psiquiatras que a criança estimulada pelos pais se destaca no saber. Então devemos dedicar mais e mais tempo a nossos filhos, transmitindo-lhes sabedoria, lealdade, compromisso com o próximo e com o futuro. Só desta maneira teremos professores de maior responsabilidade, políticos honestos, dirigentes religiosos com mais responsabilidade cristã e um presidente digno da confiança do seu povo. E que Anhangüera fique apenas na lembrança, como uma lenda.
Valentim Miron
Franca - SP
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