Em artigo anterior, escrevi sobre a visão da Bíblia e da Igreja Católica (conforme o Catecismo) e como vimos, um cristão só pode ser contra. Causa espécie ver igrejas que se dizem cristãs defenderem o aborto e o uso de embriões humanos.
Mais estranho é ver o uso de pessoas portadoras de grandes deficiências físicas como sensibilizadoras da esperança de cura. Todos ficamos comovidos, mas fomos enganados, não têm cura esses casos graves de lesão. É como cortar um tronco de fios telefônicos, não tem como religá-los sem saber como, com células embrionárias ou não.
A Dra. Alice Teixeira Ferreira explicou a senadores, deputados e à nação, tudo isso. Ela é médica formada na Escola Paulista de Medicina, pesquisadora na área Biomédica há mais de 40 anos, livre-docente de Biofísica da UNIFESP/EPM e há 15 anos desenvolve pesquisa em Biologia Celular. Não se deixou levar pelos projetos de genomas, pois tinha certeza que os resultados seriam nulos, já que estava trabalhando com animais transgênicos e os resultados eram inesperados. E, agora, com as células embrionárias, ela pensa o mesmo: enganação. E cita o cancerologista Rex Greene “os que terão lucro imediato com os embriões são os pesquisadores envolvidos e os biotecnologistas que lhes venderão os aparelhos necessários”.
Isso já aconteceu aqui. A FAPESP gastou 35 milhões de dólares para fazer o seqüenciamento do genoma da X. fastidiosa (conhecida como causadora do amarelinho) e que não levou a nada aos laranjais. Qualquer caipira já tem uma solução mais barata, ou seja, três podas acabam com o amarelinho.
Os meios de comunicação não estão divulgando corretamente os resultados das pesquisas com células-tronco adultas. Não disse que Rudolf Jaenish curou anemia falciforme em camundongos e não noticiou a visita do Dr. Paul Sanberg, autor de cerca de 500 artigos e que tem mais de 25 patentes de produtos voltados para tratamentos com células-tronco de medula óssea e de sangue de cordão umbilical. A pá de cal contra o uso de embriões humanos vem da pesquisa do Dr. Shynia Yamanaka, que conseguiu transformar células adultas da pele humana em células com características embrionárias.
Para encerrar o assunto pela ótica dos pesquisadores, diversos deles que usavam embriões humanos já mudaram suas linhas de pesquisa para as células-tronco adultas, como fizeram James Thomson, da Universidade de Wisconsin-Madison (que teve sucesso usando fibroblastos de fetos e do prepúcio de recém-nascidos); Ian Wilmut, que fez a clonagem da ovelha Dolly; e o já citado Jaenisch.
E, por fim, a Associação Médica Espírita do Brasil também já se manifestou sobre o assunto (MEDNESP-2005). Considera que as pesquisas, na prática, mostram alto risco na geração de tumores e são realizadas sem o devido respeito ao embrião; e que uma vida (a do embrião) não pode ser interrompida em benefício de outra.
Mário Eugênio Saturno
Tecnologista do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva
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