Ela está sendo tratada como a salvação da lavoura para os gordinhos. O Acomplia, nome comercial do medicamento Rimonabanto e conhecido como comprimido antibarriga, chegou ao mercado francano em abril e já despertou o interesse de muitas pessoas, que vêem nele a possibilidade de acabar com a temida barriga.
A procura pelo remédio, de acordo com farmacêuticos ouvidos pelo Comércio, é grande, mas a maioria dos interessados fica só na curiosidade. “Procura tem bastante, mas o preço é um pouco alto, R$ 250”, diz a gerente da Coopersumo Edna Cristina. Segundo ela, pelo menos uma pessoa por dia vai até a farmácia para saber do produto. Na DrogaFarma da Avenida Presidente Vargas, a procura é maior. De acordo com o farmacêutico Tiago Pedrosa, de duas a três pessoas procuram o medicamento no local por dia. Também lá, a compra é menor do que a procura. “Vendemos em média uma caixa a cada dois ou três dias”.
A história, no entanto, não é tão simples quanto parece. O endocrinologista Mauro Roberto de Castro Figueiredo disse que o remédio está sendo mostrado com uma expectativa que não existe. “A expectativa está muito mais acima do que ele (o medicamento) merece. Eles acham que é uma droga milagrosa e não é. Se você não mudar o estilo de vida, vai ter uma ação pouco efetiva. Tem que ter uma mudança alimentar e prática de atividade esportiva.”
Além disso, ele disse que o remédio é para poucos. “Tem muita gente que não pode tomar. As principais indicações deste medicamento são para pacientes com problemas cardiovasculares. Tem que ter cuidado para fazer a análise (se deve ou não ser usado)”. Mauro Roberto diz que ainda não indicou o medicamento a nenhum de seus pacientes.
A colega de Mauro, Regina Helena de Freitas Lopes, já receita o remédio há algum tempo. “É para o grande obeso e para quem tem síndrome metabólica, que são casos de alguns hipertensos e diabéticos. Ele ajuda também o paciente de colesterol alto. O grande obeso é o obeso que tem a forma de gordura de ‘maçã’ e tem índice de massa corporal maior do que 35. Se for sobrepeso ou obesidade grau um, não emagrece. Perde um centímetro de barriga. Não faz diferença”.
Regina ressalta, no entanto, a necessidade de acompanhamento psicológico. “Eu não tive efeito colateral, mas eles falam para tomar cuidado com pacientes com depressão. Eu trabalho muito com isso. A maioria dos paciente de obesidade tem fator genético e emocional. Eu converso muito com eles sobre a questão emocional”.
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