Aprendiz de cronista


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Recebi um convite que muito me honrou. O Conselho Editorial do Comércio da Franca me convidou para assumir a coluna semanal de Couros e Calçados publicada às terças-feiras neste jornal. O meu dilema foi: uma coisa é escrever quando se tem motivação e assunto que se queira comunicar, sem obrigação alguma, e outra coisa, muito diferente, é ter que escrever porque a folhinha marca terça-feira. Acompanho há anos, desde os tempos vividos na Bahia, a agonia do cronista e escritor de quilate de João Ubaldo Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras. Volta e meia confessa o pavor da brancura da página que espera por uma crônica. Bem, agora é o vazio da telinha do computador que espera pela crônica. Imaginem, e trata-se de um escritor e membro da ABL! Não consigo imaginar, mas admiro de como o dr. Alfredo Palermo manteve durante cinqüenta anos a Gazetilha! Mas quem pode resistir à argumentação do Luiz Neto? Eu me dei por vencido. Quero fazer uma ressalva, não sou político e não vou mover céus e terras para me manter no cargo, como certas figuras do Congresso ou Senado. Se esta minha nova função vai mexer com a minha preguiça ou “dolce far niente” neste caso, adiós amigos, desisto. Outra dificuldade que antevejo é a de que passo poucos dias por mês em Franca e quando os boletins noticiosos da AFIN (Agência Francana de Inteligência, com sede na Praça Barão) sobre a próxima fábrica que vai quebrar chegam ao meu conhecimento, para os francanos uma notícia assim já tem ranço da coisa velha. Por outro lado a minha rede de informantes construída nos anos que passei fora do Brasil me proporciona uma ótima visão do aspecto global da indústria de calçados. Há quantos anos escrevo e estou alertando sobre o perigo amarelo? Levo nomes de pessimista e catastrofista, os quais até aceitaria de bom grado, se as coisas não estivessem acontecendo do modo como estive alertando. Infelizmente, a contemplação do próprio umbigo fica bem aos budistas, mas na briga de foice no escuro em que se tornou o mundo global calçadista, o que vale é a previsão seguida de ação. E quando Luiz Neto perguntou como deveria apresentar a minha qualificação, se como consultor ou consultor internacional, ai de mim!, me dei conta que não tenho nenhum mestrado, nenhuma pós-graduação; como é que vai ficar? Não quero ser chamado de consultor para não engrossar o bando de picaretas, que perderam emprego e viraram consultores. Me dei conta e fiquei satisfeito de que sou um simples sapateiro. Lembrei do grande capitão de indústria Wilson Sábio de Mello, que pouco antes de morrer me mostrou o cartão de visitas internacional que usava fora do Brasil e onde se lia: Wilson Samello Shoemaker. Wilson, desculpe a pirataria, mas de uns tempos para cá, os meus cartões também dizem: Zdenek Pracuch Sapateiro. Por favor, Luiz Neto ponha sapateiro como apresentação. Aliás, o “Rei do Calçado” Tomás Bata pai, por ocasião das festividades do Dia de Trabalho na década dos anos 20, o qual ele comemorava junto com os operários, escreveu um poema com título: Somos sapateiros quem é mais? - Irei procurá-lo na minha biblioteca para, ocasionalmente, enriquecer esta nova coluna com uma gota de cultura! SINTÉTICOS LIDERAM De janeiro a abril de 2008 o Brasil exportou 67,4 milhões de pares de calçados, gerando faturamento de US$ 646,5 milhões, alta em volume de pares na ordem de 4,4% e 3,2% em dinheiro. No mesmo período de 2007, foram 64,5 milhões de pares com US$ 626,2 milhões de faturamento. Do total, 40,1 milhões de pares são de sintéticos, correspondentes a US$ 157,4 milhões. Depois vêm os calçados de couro, 22,2 milhões de pares para um faturamento de US$ 441,3 milhões. Na seqüência estão os têxteis, 3,6 milhões de pares e US$ 39,2 milhões e os injetados, com um milhão de pares e US$ 4,4 milhões de faturamento. Por fim, outros tipos de calçados venderam 304 mil pares, faturando US$ 4 milhões. As informações são da Abicalçados), que se baseou em dados da Secex/MDIC. SETOR PODE VOLTAR A RESPIRAR O setor calçadista nacional se encontrou entre 8 e 9 de maio em Fortaleza (CE) para discutir o futuro de médio e longo prazos da indústria. Uma das conclusões mais interessantes foi o anúncio de que o Brasil deve liderar, em curto espaço de tempo, a condição de principal supridor de calçados do mundo. Para dar base a esta afirmação, Ferenc Shmél, especialista das Organizações das Nações Unidas para o Desenvolvido Industrial (UNIDO) analisou a desaceleração da produção calçadista na China e um detectado aumento de comercialização de pares, que incrementa o índice de uso de pares por habitante, em vários países. PELOS PÓLOS CALÇADISTAS A diretoria da Francal, representada pelo presidente Abdala Jamil Abdala, prosseguiu ontem, em São João Batista (SC), seu tour por centros produtores de calçados nacionais, em comemoração aos 40 anos da Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes. Nas semanas anteriores, o executivo esteve em Franca, Jaú e Belo Horizonte. Hoje, estará em Novo Hamburgo. Além de agradecer a participação das empresas nacionais no evento, Abdala também tem falado de campanha de valorização do calçado nacional, assinada pela Francal e Abicalçados. (LN) Zdenek Pracuch Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br

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