O que era para ser apenas mais um assassinato na estatística criminal de Franca transformou-se num caso que intriga a polícia e choca a sociedade. No dia 21 de fevereiro, o comerciante Severino Rodrigues, 37, foi executado com cinco tiros diante do filho de 13 anos. Três meses depois, mesmo com os autores na cadeia, ainda é impossível entender o que aconteceu. Os últimos dez dias foram marcados por seis prisões, reviravoltas e versões surpreendentes.
A cidade se vê diante de uma trama diabólica, cuja mentora foi a sapateira Suellen Barbosa Rodrigues, 20, a filha da vítima.
Na terça-feira, 6 de maio, a equipe de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) identificou os autores do assassinato. Ranieri Soares, 22, e Tiago Ribeiro, 23, teriam matado Severino para roubar. Tiago disse que atirou ao se assustar com um gesto brusco da vítima.
Durante seu interrogatório, Ranieri causou espanto ao dizer que eles haviam sido contratados por Suellen para roubar o pai dela. O delegado Márcio Garcia Murari pediu a prisão temporária da garota à Justiça. Na segunda-feira, 12, dois investigadores prenderam a sapateira em uma fábrica do Distrito Industrial. Levada à delegacia, ela confessou participação, mas disse que a intenção era assaltar Severino e levantar dinheiro para pagar um traficante que estaria ameaçando sua família. Uma conhecida teria indicado a dupla de assaltantes para ajudá-la no plano macabro. “Falei que era para fazer só o assalto. E o Tiago pegou e disparou os tiros”, disse ela.
No mesmo dia, foi preso o borracheiro Alex Sander Rodrigues Vieira, 26. Foi ele quem levou os dois assaltantes ao local do crime. Partiu do celular dele o telefonema para a vítima dez minutos antes do assassinato.
Engana-se quem pensa que, nesse ponto, as investigações haviam chegado ao fim. Na quarta-feira, os policiais da DIG prenderam a sapateira Joana Darc Aparecida de Souza, 22 - uma espécie de “empresária do crime” - que fez o elo entre Suellen e os bandidos. A sexta prisão foi a do entregador de carnes Fransérgio Lima de Andrade, 26. Indicado por Joana e contatado por Suellen, ele “pegou” o serviço, mas repassou para Tiago e Ranieri.
Foi no depoimento de Joana Darc que a revelação mais bombástica veio à tona. Ela afirmou que Suellen havia encomendado por R$ 3 mil a morte não só de Severino, mas também da mãe, Eliana. Como o serviço ficou incompleto, a acusada pagou apenas R$ 1 mil. O pagamento foi efetuado durante o velório do comerciante.
Suellen e Joana Darc foram colocadas frente a frente na delegacia quinta-feira. A acusada admitiu ter efetuado um pagamento em cheque e repassado a foto do pai para a amiga, mas negou que fosse para matá-lo. Os policiais acreditam que Suellen tenha sido pressionada por alguém para tramar a morte dos próprios pais. O motivo é um grande mistério, mas poderia estar relacionado com o tráfico de drogas ou, então, por causa da morte de algum membro do grupo que teria feito a suposta pressão em cima da garota. A verdade, talvez, nunca seja descoberta.
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