Tentar identificar algum traço na personalidade de Suellen Rodrigues que pudesse dar pistas sobre qualquer desvio de conduta da pós-adolescente que teria tramado a morte dos próprios pais foi uma tarefa sem sucesso.
Durante a semana, o Comércio ouviu vizinhos, amigos da rua onde a família mora, no Jardim Luiza II, ex-companheiros do curto período em que ela passou empregada em uma fábrica de calçados e pessoas ligadas à Escola “Sudário Ferreira”, onde estudou da 5ª série ao final do ensino médio. Em praticamente todos os depoimentos, o tom foi de espanto e incredulidade pela sua prisão.
A descrição, quase uníssona, é de uma filha que não desgrudava do pai e em quem as pessoas confiavam. Na Rua Olívio Rodrigues, quatro vizinhos que atenderam à reportagem, por telefone, afirmaram que o clima é um misto de dúvida, indignação e revolta. “Ninguém aqui em casa ainda acredita no que aconteceu, que ela possa ter feito isso com o pai, que era um coitado”, disse uma das vizinhas, moradora da rua há três anos.
Na escola onde estudou, uma funcionária disse que alguns professores com mais tempo de casa ficaram surpresos com a notícia de sua prisão. “Eu mesma não a conheci, mas alguns de seus colegas disseram que ela foi uma aluna que nunca apresentou qualquer desvio, que nunca mereceu uma atenção maior ou um acompanhamento. Não era rebelde”, revelou a educadora.
Na fábrica de calçados onde Suellen trabalhava desde o dia 25 de março, nenhum depoimento destoou. Ainda tecnicamente empregada, já que não houve tempo hábil para formalizar a demissão, Suellen fazia parte de um setor da empresa, que tem perto de 40 funcionários, com outras mulheres. Era quieta, segundo um funcionário que pediu anonimato, mas, eventualmente, apresentava comportamento estranho, em que demonstrava certo nervosismo diante de situações simples e rotineiras.
Para outra vizinha, a docilidade da filha pode ter escondido um monstro capaz de simular amor pelo pai. “Agora, presa, talvez ela tenha tempo para perceber que destruiu uma família inteira”. A mãe de Suellen disse que não havia motivos para a filha querer a morte dela e do marido. “Ou ela está sendo pressionada ou está com medo de abrir a boca”.
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