Poder trabalhar de bermuda e chinelo, com flexibilidade de horário e em um ambiente totalmente alternativo, onde as mesas com computadores podem ser trocadas por redes e sofás confortáveis. Além disso, ganhar um salário acima da média paga pelo mercado e receber bonificações por metas alcançadas. Por mais que possa parecer estranho, este local de trabalho existe e está localizado em Franca. Trata-se da Plano Bê, empresa que trabalha na produção de softwares e hoje conta com 11 profissionais. Entre seus produtos, um programa inédito para máquinas de cartão de crédito que possibilita a programação de acordo com as necessidades do usuário.
À primeira vista, o escritório parece uma casa como qualquer outra do bairro: apenas um muro de pedra e um portão branco. A surpresa chega ao se entrar no escritório. Já na recepção, um papel de parede com motivos eletrônicos e um sofá que sobe a parede e chega até o teto. No corredor branco, palavras como confiança, disposição e motivação, escritas na parede, parecem incentivar de fato a criatividade. Em uma das salas de trabalho, móveis modernos com bonecos de personagens de desenho animado e uma pista de vôo no teto, com um avião de aproximadamente um metro de comprimento que parece estar decolando. Em outra sala, o carpete de grama sintética no chão se choca com uma parede com um papel de parede com o mapa mundi.
Se o funcionário não quiser trabalhar em um ambiente fechado, pode ir para o quintal e deitar-se em uma das cinco redes instaladas ali. “É um ambiente muito agradável de se trabalhar. Não tem nada aqui que nos limite a fazer nosso trabalho, nenhum tipo de burocracia, de limitação técnica, nem nada. Além disso, temos flexibilidade para tomarmos nossas decisões”, disse o programador Gean Paulo Orlando, 29. Ele afirma ainda que o ambiente vai muito além da questão meramente profissional, graças ao clima descontraído. “O lazer aqui dentro também é bem legal. O pessoal é muito entrosado. Na sexta-feira passada, por exemplo, fizemos um fondue, o pessoal todo participa, tem um som. O espaço também oferece isso.”
Gean ressalta que o resultado de toda esta descontração é notado facilmente em produtividade. “No meu antigo emprego, em sete anos eu desenvolvi quatro sistemas para web e dois entraram em produção. Aqui eu já desenvolvi nove sistemas, todos em produção, apenas em dois anos”.
Talvez por este rendimento, o salário também é mais compensador. Enquanto um programador recebe em média R$ 1,5 mil, o salário na Plano B é de até R$ 2,5 mil, fora as bonificações.
Um dos sócios da Plano Bê, Eliézer Pimentel, explica que a idéia veio com a insatisfação tida com o último lugar em que ele e o sócio, Luiz André Lima, trabalharam. “Há dois anos e meio trabalhávamos em uma outra empresa e tínhamos uma visão que não se enquadrava muito na forma de trabalho de nosso ex-patrão. Algumas coisas que gostaríamos de ter implementado, atitudes administrativas que não se encaixavam na nossa forma de pensar. Aí, decidimos sair e montar uma empresa nossa, onde pudéssemos colocar nossas idéias, nossa forma de trabalhar e pensar.”
O resultado surpreendeu a dupla. No primeiro ano, a empresa cresceu 192% (2006) e 98% no ano passado. Hoje, a Plano Bê tem clientes no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Amazonas, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de empresas dos Estados Unidos, México e Colômbia. O número de funcionários também mostra o dinamismo da empresa. Em 2006, eram apenas os dois sócios. Hoje, 11 pessoas trabalham no local e a ambição é crescer ainda mais, com uma meta já estabelecida até 2018.
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TRANSPARÊNCIA E ORGANIZAÇÃO
As diferenças entre a empresa e uma outra convencional, na opinião de Luiz, começa pela transparência. “A principal diferença é que em uma empresa convencional, geralmente, o funcionário não sabe qual é o objetivo da empresa, em quais projetos ela está empenhada, quanto a empresa fatura. A gente acredita bastante que se quiser que a empresa cresça, todo mundo tem que saber quanto a empresa fatura, quais são os projetos, estar motivado e engajado”. Além disso, comenta Eliezer, esta é uma forma de segurar os melhores profissionais. “Nós temos visto que isto tem feito um resultado”.
Questionado se um metódico conseguiria trabalhar na empresa, a resposta de Eliézer é negativa. “Muita gente que entra aqui, não entende e pergunta: ‘Como é que é? Eu posso entrar aqui às dez da manhã e sair às dez da noite?’. Sim, desde que seu resultado esteja aparentemente dentro dos nossos números, tudo bem.”
Outro diferencial da empresa é justamente a questão de horário, como explica Luiz. “Todo mundo faz o horário de almoço que quiser.
O Gean, que é um dos funcionários mais antigos, tem uma flexibilidade total de horário. Às vezes ele chega às 11 horas e sai às 22 horas, trabalha sábado e domingo. Às vezes, ele está mais cansado, dá uma relaxada. O que importa para a gente é o resultado, não é ter que chegar aqui às 8 horas”.
Depois de toda esta descrição, uma pergunta é inevitável: existe alguma coisa de negativo na empresa, que faça o funcionário xingar o colega? A resposta vem rápida: “Claro que tem. A gente é bastante chato em relação a valores. Você tem a liberdade, mas tem uma cobrança muito alta também.”
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