Tecnologia que não pára


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INVESTIMENTO PESADO - O empresário Roberto Lima, 57, presidente da Vivo, esteve em Franca na última semana para oficializar chegada da operadora à região; investimentos altos para acompanhar tecnologia
INVESTIMENTO PESADO - O empresário Roberto Lima, 57, presidente da Vivo, esteve em Franca na última semana para oficializar chegada da operadora à região; investimentos altos para acompanhar tecnologia
<p>Há pouco mais de uma semana, o mercado de Franca foi sacudido com uma campanha publicitária e de marketing poucas vezes vista na cidade. Toda a estratégia, de olho em um mercado milionário, onde cada passo significa a diferença entre ganhar muito dinheiro e perder mais ainda, tem relação direta com o empresário Roberto Lima, 57. Presidente da Vivo, ele esteve em Franca, onde acompanhou de perto a abertura das lojas de uma das maiores operadoras de telefonia móvel do País. Falando à imprensa, convidados e autoridades, não com mais proximidade do que falou a seus funcionários, Lima deu seu recado: a Vivo quer liderar o mercado de telefones celulares na única região do Estado de São Paulo onde ainda não atuava. Para isso, quer comercializar nada menos que 180 linhas todos os dias. Dinheiro parece não ser o problema, já que a empresa é a décima mais capitalizada no Brasil, com previsão de investimentos de R$ 6 bi-lhões em 2008. Nesta entrevista exclusiva ao Comércio, Roberto Lima falou da empresa, da chegada a Franca e dos planos para os próximos meses. Planos que incluem trazer o badalado IPhone, da Apple, e estudos para apoiar o esporte local.</p><p><strong>Comércio da Franca - Como é a chegada da Vivo a Franca?<br />Roberto Lima -</strong> Para nós não é apenas mais uma operação que a gente inicia. Ela tem um significado especial. Com a chegada da Vivo à região, nós completamos a cobertura integral do Estado de São Paulo, que é um dos estados mais importantes em termos de telefonia celular. Nós temos a maior cobertura no País, com praticamente 3 mil municípios e para nós era fundamental que esta região, que é um pólo industrial importante de desenvolvimento, que cresce a taxas mais elevadas do que o restante da economia do Estado, que estivéssemos aqui. Não chegamos antes porque havia uma necessidade de se negociar com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a disponibilidade de freqüências e licenças, já que esse é um serviço que é regulado. O que nós conseguimos fazer entre setembro e abril deste ano, portanto, assim que tivemos a licença começamos imediatamente as nossas operações.<br /></p><p><strong>Comércio - O que a Vivo traz a Franca?<br />Roberto -</strong> A Vivo traz o que existe de mais moderno em tecnologia para telecomunicação móvel, tanto de comunicação de voz quanto de dados. Podemos dizer também que hoje não tem nenhum atraso tecnológico em relação aos países mais desenvolvidos do mundo. O que se desenvolve lá fora chega imediatamente ao Brasil e hoje você encontrará em nossas lojas os aparelhos que permitem às pessoas se falarem, conversarem, mas também checar os seus e-mails, ter acesso à internet, fazer uma localização e navegação terrestre através de sistemas desenvolvidos para isso. Portanto, tudo aquilo que é tecnologicamente mais avançado está disponível. <br /></p><p><strong>Comércio - Neste sentido, há um ressentimento generalizado dos usuários de telefonia, que é o atendimento que as operadoras prestam. Como a Vivo lida com esta situação?<br />Roberto - </strong>Imagine que estamos falando de um setor com mais de 130 milhões de usuários no Brasil. No caso da Vivo, temos 38 milhões de usuários e por mais que queiramos manter 100% dos clientes satisfeitos sempre ocorrerá um pequeno problema, uma insatisfação ou uma dúvida. Por isso que nos últimos três anos nós temos procurado entender que antes de ser uma empresa de telecomunicações, somos uma prestadora de serviço e que os clientes querem ter respostas às suas perguntas. Os nossos pilares básicos são ter uma boa rede, um bom sistema de faturamento, de recarga, mas sobretudo podermos sobressair no atendimento em callcenter e em lojas. Não é fácil. Esta é uma luta do dia-a-dia, mas nós estamos muito satisfeitos de, por vários meses consecutivos, sermos considerados a empresa que menos reclamações tem no site e no call center da Anatel. Além do que, nas pesquisas de satisfação do cliente temos recebido as notas mais altas. Temos que melhorar. Em uma escala de zero a 10 as nossas notas estão em 8,41.<br /></p><p><strong>Comércio - Com 72% de teledensidade (relação população/aparelhos ativos), vamos imaginar um quadro que se chegue a 100% no Brasil. Nesta situação, qual é a preocupação que uma empresa deve ter? <br />Roberto -</strong> Melhor aí é a continuidade. Primeiro garantir uma boa prestação de serviço para essa massa de pessoas. O Brasil é o quinto maior mercado de telecomunicações do mundo e manter essa margem enorme de satisfação deve ser o grande desafio. O desenvolvimento do mercado se fará não mais no número de usuários, mas provavelmente na colocação no mercado de novos produtos, serviços, que é o que a gente vê acontecer a cada semana. A telefonia quando se implantou era basicamente com a comunicação de voz, depois por textos. Hoje já se faz acesso a e-mail, internet e até televisão digital acoplada ao aparelho celular. Portanto, o que vai acontecer é um alargamento dos serviços que são prestados.<br /></p><p><strong>Comércio - Tem um caso particular em Franca que é a presença tradicional da CTBC, pequena em relação à Vivo, por exemplo. Há projeção de mercado para que a CTBC sustente vida longa?<br />Roberto -</strong> Eu preferiria não comentar. Eu tenho admiração pela CTBC. Ela faz um bom trabalho na região onde atua e aí eu acho que é uma questão estratégica deles.<br /></p><p><strong>Comércio - Com esta convergência de mídias, qual é o futuro da telefonia celular?<br />Roberto -</strong> Esta convergência se dá através do próprio aparelho. A gente sempre se questionou como é que ela (a convergência) poderia se passar no futuro e a gente quase não percebe, mas ela já está acontecendo. Em um mesmo aparelho hoje você fala, manda e-mail, escreve textos, acessa à internet. Então, ela já ocorreu, já está aí presente e a cada dia nós temos novas surpresas, com aparelhos de celulares que têm ao mesmo tempo a recepção de TV digital e dá a possibilidade de fazer exames do nível de glicemia no sangue. Então acaba se transformando em um verdadeiro canivete suíço eletrônico, cumprindo várias funções ao mesmo tempo. Isso é possibilitado pela contínua miniaturização dos componentes, de chips e o desenvolvimento desta indústria de base, que talvez seja a que mais se desenvolveu nos últimos anos.<br /></p><p><strong>Comércio - A tendência então é que tanto a TV digital quanto o aparelho celular se transformem em uma única coisa?<br />Roberto - </strong>Eu acho que sim. Aí, o tamanho do telefone é que vai determinar o número de funções que você pode atender, porque o visor de um telefone tem uma dimensão limitada, serve para alguns tipos de aplicações, mas não eventualmente para você passar horas vendo conteúdos de vídeo. Acho que mais para funções específicas, como um telejornalismo. Ainda é cedo e o mercado pode nos surpreender. Acho que aparecerão novos fornecedores de conteúdos que vão procurar se especializar nisso. Eu vi, em um grande evento realizado em Barcelona, em 2007, algumas apresentações muito interessantes de filmes de no máximo 10 minutos voltados para telas do tamanho das utilizadas nos celulares. A gente viu como é possível, com um pouco de criatividade, conseguir passar emoções e informações em um curto espaço de tempo e em uma tela pequena.<br /></p><p><strong>Comércio - Dentro da previsão da Vivo de investir R$ 6 bilhões no Brasil, é possível quem em um curto espaço de tempo esses investimentos se estagnem?<br />Roberto -</strong> Na verdade você tem no Brasil a Vivo como a empresa com maior cobertura, em cerca de 3 mil dos mais de 5,4 mil municípios. A necessidade de cobertura continua. É verdade que hoje já estamos indo para regiões de baixa densidade habitacional e com baixa oferta de tráfego, o que torna o investimento um pouco mais difícil de ser rentabilizado. Por outro lado, a telefonia celular, ao chegar nessas regiões, provoca um efeito de desenvolvimento e faz com que se transformem economicamente. Então, nós ainda temos muito a fazer no Brasil em termos de cobertura. Regiões imensas como a Amazônia, que precisa deste tipo de setor para que as pessoas tenham acesso a serviços, conteúdos e principalmente à educação, são o principal fator de desenvolvimento de um país. Ainda tem muita coisa a ser feita e não só esta questão da cobertura territorial em país com a dimensão do Brasil, mas o contínuo desenvolvimento da tecnologia. Desde a privatização, nós já passamos pelo sistema analógico, TDMA, CDMA, fomos para o GSM e estamos indo para a terceira geração. Logo em seguida, já vem uma nova tecnologia, que é LTE, que vai permitir a transmissão de conteúdos em uma velocidade mais elevada do que hoje. Isso não pára.<br /></p><p><strong>Comércio - Como o senhor avalia o sistema de concessão da Anatel, já que só por isso houve esta demora para a Vivo chegar a Franca?<br />Roberto - </strong>Este é um trabalho muito difícil de ser feito. O espectro de freqüência é bem limitado. A Anatel faz um trabalho excepcional de administrar isso. Não é fácil. Portanto, a disponibilidade da Anatel em alocar mais freqüências do sistema móvel pessoal existe, mas precisa fazer com freqüências que, em primeiro lugar, estejam dentro dos padrões mundiais, porque senão você perde a escala de aparelhos e equipamentos. Em segundo, tem que ser freqüências que estejam limpas, não sendo usadas por outras operadoras, sejam elas de segurança pública, pelo governo, pelo Exército, ou qualquer coisa assim. Enfim, é um trabalho difícil e apenas o poder público pode tratar disso. Às vezes, os trabalhos são um pouco mais lentos, mas nós temos que entender que é assim que têm que ser. Agora o que a gente espera é que com a rapidez com que o mercado brasileiro está crescendo, a Anatel consiga colocar, da forma que tem feito, freqüências para o setor na velocidade necessária. <br /></p>

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