Talvez nenhum lugar em Franca mostre tão bem a importância e a elevação do consumo das pessoas que vivem na periferia como a região do Parque Vicente Leporace, formada basicamente por bairros surgidos a partir da construção de conjuntos habitacionais. Com uma população estimada em mais de 100 mil pessoas, a região é hoje um dos locais mais valorizados da cidade quando o assunto são negócios e vendas, a ponto de ter preços de aluguéis comerciais equivalentes ou maiores que os praticados nas regiões nobres, como o Centro e a Cidade Nova.
A principal explicação para o alto valor dos aluguéis comerciais é a velha lei da oferta e procura. Na região, existem poucos cômodos legalizados. A maioria concentrada apenas em sua principal avenida, a Abraão Brickmann. Com poucas opções e muita procura (já que o potencial de consumo é grande por conta do número de habitantes da região), o preço, claro, é alto. “O que tem bastante ali são aquelas lojinhas irregulares, que nascem da transformação das garagens em cômodos comerciais”, diz o proprietário da Teixeira Imóveis, Luiz Carlos Teixeira.
A procura é tanta que, em alguns casos, o valor cobrado pelo aluguel na região do Leporace chega a ser o dobro do encontrado na região central da cidade. “O aluguel de um cômodo comercial de uma porta ali na avenida vai custar R$ 2 mil. No Centro, por um imóvel equivalente, você paga a metade”, disse.
Outro empresário do setor de imóveis, Marcelo Palermo, da Espaço Nobre Imóveis, faz a mesma comparação. “Eu não sei te falar o preço de metro quadrado naquela região, mas sei que se compara ao da Avenida Major Nicácio, em plena região central.”
Além da ausência de imóveis, Marcelo cita ainda a independência do bairro como motivo para a alta cotação. “Ali vai acabar virando outra cidade. Quem mora lá não vem para o Centro, então, o consumo é concentrado, o que faz com que o preço dos imóveis chegue a R$ 200 mil, R$ 300 mil, quase o cobrado na Major Nicácio, que é a avenida mais nobre para o comércio na cidade hoje”.
E quem pensa que apenas pequenos comerciantes têm interesse pela região se engana. Nos poucos pontos comerciais da avenida, redes de lojas, como o Magazine Luiza e Irmãos Patrocínio, já demarcaram território e montaram pontos de vendas no local.
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Um pouco antes dali, a Avenida Moacir Vieira Coelho é passagem obrigatória para quem se dirige ao Leporace e, conseqüentemente, também um ponto forte comercialmente. Foi nesta via, a 50 metros da ponte de entrada do Leporace, que o comerciante Hélder Dias Corrêa abriu, em outubro do ano passado, uma loja de confecções. No início, relutou em pagar R$ 1,6 mil mensais, pois ainda não conhecia o potencial de consumo da região.
Passados sete meses, ampliou seu leque de produtos também para enxovais e atacado de jeans e diz que, de lá, ele não sai. “Coloquei o nome da loja de Baratão para se tornar atrativa. Depois, descobri que a população da área tem bom poder de compra. O movimento é sempre intenso. É uma área muito positiva para os comerciantes em geral”, garante.
Procurada para informar o número de lojas abertas na região e comentar a existência de pontos irregulares, a secretária municipal de Planejamento Urbano, Valéria Marson, não foi encontrada.
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