A saída de Valim


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Marcelo Valim está fora da grade de programação da Rádio Difusora de Franca e do Grupo Corrêa Neves de Comunicação. A decisão foi tomada em comum acordo entre o radialista e a direção do grupo. Considerado um dos mais polêmicos e combativos radialistas da nova safra, Valim (que na verdade é Marcelo Marques de Melo, filho e sobrinho de radialistas – Renildo Valim de Melo, seu pai, e Renato Valim de Melo, conhecido repórter esportivo francano) iniciou suas atividades na Rádio Hertz, do atual prefeito Sidnei Rocha. Rocha precisava de um comunicador de fala dura, a seu estilo, e viu em Marcelo o candidato potencial. Esculpiu o ainda muito jovem radialista a ferro e fogo, aproveitando a verborragia própria da juventude e um imenso talento oral – eu, que ministro treinamento de comunicação verbal e gestual há muito tempo, posso testemunhar que capacidade de fala torrencial é dom de muitos poucos, mas também ensino que falar torrencialmente não é uma boa porque não permite o ajuizamento pessoal daquilo que se fala e que, aqueles que se conduzem assim, acabam se arrependendo do que falaram sem medir conseqüências. E o menino foi em frente. Tornou-se fenômeno. Sua audiência cresceu. As pessoas simples encontraram nele o porta-voz de seus problemas. Gostaram e o elegeram vereador. Valim se desentendeu com Rocha e foi para a Difusora. Seu radialismo popular, repleto de expressões de efeito, muito teatro, competência sim, mas competência prejudicada exatamente naquilo em que Valim é muito bom – a fala rápida – desaguava, ultimamente, para o triste cenário dos palavrões, das agressões gratuitas e impensadas, ditadas, segundo ele mesmo me dizia,“pela raiva, porque eu não agüentava, porque o personagem me tirava do sério”. E comunicadores de rádio não podem se permitir isso... Falei com Valim várias vezes desde quando nossas salas ficaram mais próximas. Cobrava-o após mais uma dezena de palavrões em plena hora do almoço, gritadas para crianças que não tinham que ouvir e para pessoas que não gostavam disso, mas que, mesmo assim, o brindavam com audiência. E ele, após, cobrado, caía em si: “É, me excedi de novo...”. Marcelo Valim é um grande radialista. Tem talento, tem a fala fácil, tem carisma e as pessoas gostam dele, de seu “jeitão de negão sangue-bom”. Mas ainda é muito jovem. As coisas aconteceram muito rápido em sua vida e em sua carreira. Ele não tem, ainda, a experiência que a idade confere para equilibrar seus talentos com suas deficiências. Foi cobrado muitas vezes por seus diretores, mas não podia mesmo compreender onde é que errava: o vulcanismo de seus hormônios, a vaidade de saber-se dono de audiência, a inconsistência do que aprendeu com a vida desde muito cedo conspiraram contra ele. Não houve jeito. Valim e a direção do grupo se reuniram pela última vez na quinta-feira, dia 15. A decisão certamente não o agradou e nem agradou a tantos que o viam como o comunicador de rádio AM a ser ouvido às 11 horas. Escrevo esta coluna hoje para tentar equalizar as clínicas de rumores que percorrem a cidade: o rádio de Valim tornou-se incompatível com a filosofia de trabalho e com o Código de Ética defendidos e praticados pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação. A vida continua. EM TEMPO Antes que meu leitor me pergunte, respondo: esta coluna não foi encomendada por ninguém. Entendi que tinha que aproveitar a oportunidade para lembrar a Valim o que lhe falta para ser um comunicador inigualável. Não respondo pela Editoria de Opinião e por Relações Corporativas do Grupo Corrêa Neves de Comunicação como mero “eco” do que esta casa precisa dizer. Digo o que penso com minha própria cabeça e continuo dizendo porque esta casa respeita, até onde pode, o que tenho a dizer. Aliás, como fez com Valim. HÉLIO RODRIGUES Hélio Rodrigues está de volta. Ele foi o sucessor de Sidnei Rocha no Boca no Trombone quando o programa foi para a Imperador e, certamente, como Sidnei, foi espelho para Marcelo Valim construir o estilo de seu programa de rádio. Hélio é um experiente jornalista e radialista. Ingressou em rádio na mesma época que eu, depois de vencer duros testes coordenados pelo grande Carlos Grego. Do rádio, fez-se vereador, igualmente a Sidnei e Valim. Estava no Grupo Corrêa Neves de Comunicação quando a Difusora foi adquirida. Voltou a fazer rádio. Deixou a casa por problemas pessoais. Sofreu fora dos microfones, mas nunca seus ouvintes deixaram de perguntar por ele. Volta agora, certamente com grande tesão, para dar dinâmica (no rádio moderno não pode haver mais um único comunicador falando sozinho porque as chances de erro aumentam) e linguagem adequada ao horário das 11 horas da Difusora. Terá, consigo, competente grupo de repórteres para modernizar o que sabe fazer de melhor: rádio. As boas-vindas não podiam ser melhores: em poucas horas, mais de 90% das empresas patrocinadoras do horário renovaram seus contratos. POR PENÚLTIMO, VALIM O moço começa a se preparar para as eleições de 2008. Teria que se desvincular do rádio em 4 de julho de acordo com as regras eleitorais. Aconteceu antes. Que sua combatividade e determinação lhe garantam atingir objetivos. E que as experiências do dia-a-dia lhe mostrem o equilíbrio com que as coisas devem ser conduzidas. POR ÚLTIMO, HÉLIO Bem-vindo de volta, meu caro. Seu apadrinhamento me permitiu voltar a respirar jornalismo 28 horas por dia. Sei o que deve passar pelo seu íntimo na nova ciranda que a vida lhe proporciona. E em tempo: Everton Lima, diretor de rádio do Grupo Corrêa Neves de Comunicação é um sábio... Luiz Neto Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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