Nossas Isabellas


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De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, em média, à cada 10 horas uma criança é assassinada no Brasil. Se o fato incomoda, a estatística apavora. Como alguém é capaz de matar uma criança? Quando uma de minhas filhas tem febre meus batimentos cardíacos já se alteram. Como fica o coração de alguém que mata o próprio filho? O caso da pequena Isabella tomou proporções épicas, mas não parece ter efetivamente suscitado o debate sob o ponto de vista mais eficaz no que diz respeito à violência contra a criança. Por que alguém mata uma criança? Por que alguém mata o próprio filho? Que sentimentos movem um ser humano nessa direção? E se extrapolarmos a análise e pensarmos nas crianças que não morrem, porém são igualmente vítimas de violência provocadas por aqueles que deviam protegê-las, quais números teremos? E se pensarmos não só na violência física que deixa hematomas, ferimentos, e passarmos a pensar também na violência psíquica, aquela que afronta, que humilha, que subestima o ser humano no seu íntimo, na sua natureza, na sua alma? Que horizonte teremos? E se considerarmos o fato de que as crianças são o futuro de uma nação, que futuro estamos construindo? O que é preciso fazer para que nossas Isabellas parem de ser covardemente assassinadas? Comida? Dinheiro? Educação? Status? Religião? Nada disso? Tudo isso? Precisamos de respostas, de soluções, caso contrário amanhã teremos outras Isabellas. Mas e se a Isabella morasse na favela, na palafita, embaixo da ponte, será que sua morte teria o espaço que teve? Será que seu assassinato produziria os acalorados debates que se sucederam? O que há de diferente em cada uma das Isabellas que morrem a cada 10 horas no Brasil, que faz com que cada um de nós tenhamos comportamentos tão diferentes? Preciso admitir, relutei muito para falar desse tema. Primeiro porque o Comércio da Franca tem gente com competência para abordar o tema, segundo porque o assunto me provoca um nó na garganta e, por conseguinte uma inexplicável dificuldade de pensar e escrever com o mínimo de lógica. Mas o fiz e está aqui. Acho que consegui... Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, integra o Conselho de Leitores do Comércio

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