Baila na tribo


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Os tribalistas, neste momento, estão em conferência. Entre caciques e cacetadas, o quadro político municipal para a disputa das próximas eleições muito em breve estará definido. E ponto final. Politizando o salmo primeiro da Bíblia Sagrada, “a má política e seus seguidores serão como a palha que o vento dispersa, e os bons serão replantados como árvore boa que prolifera em bons frutos”. (Oráculo da coluna Ética e Cidadania). Não seria demais lembrar que a ignorância pode ser substituída pelo saber. Alguns saberes são fundamentais para o bom desempenho, pelo menos no que diz respeito à ética e ao compromisso. Afinal, a hora em que a Câmara Municipal deixar de ser solitária será, com certeza, mais solidária e, conseqüentemente, mais próxima dos anseios da população. A distância que separa a governança da esperança tem sido cada vez mais acentuada. “Não precisamos de máquinas sem humanidade! Não necessitamos de inteligência sem amor e ternura! Sem estas virtudes tudo é violência e tudo se perde (...). A cobiça envenena a alma dos homens” (Charles Chaplin, em O grande ditador). A “governança” que deveria funcionar como ouvidoria oficial do povo, imparcial nas suas escutas e encaminhamentos, ganha tempo se preocupando com inutilidades sobejamente conhecidas. Ouve só o que interessa ao voto futuro e lá se vai mais uma legislatura! E os debates sobre direitos humanos, que poderiam construir um panorama mais promissor, farão parte das promessas vazias usadas a serviço do voto. Alienação é o que não falta. A edilidade parece ter se acostumado com as injustiças, e uma apatia coletiva toma conta das sessões ordinárias. Este tem sido um componente paralisante, impeditivo para a viabilização de uma cidade que seja verdadeiramente para todos. A política local, não ousa, prefere o “porto seguro”, “a mesma praça, o mesmo banco e o mesmo jardim”. Tudo continua igual, sem graça e absolutamente anacrônico. O progresso, em termos éticos e sociais, passa pela defesa da vida em relação à devastação capitalista e a preservação do planeta. Não é uma ação isolada. É um dever de todos. Grande desafio do século 21 para homens e mulheres de bem. Despertar os sentidos para a realidade, tomar conhecimento do que acontece no entorno da cidade e da vida das pessoas, refletir sobre as causas da pobreza e da devastação ambiental, ajudar a educar a comunidade, buscando quebrar essa acomodação e apatia, demonstrando que a esperança ainda existe para todos. A boa política tem que ser tal qual o “grilo falante”, a consciência que incomoda e que quer de fato mudanças. O inverso é filme já visto e música batida que de tão cantada que foi não desperta mais interesse! Por isso, quando disserem “baila comigo, como se baila na tribo”, não “bailo” não!!! Chega dessa festa brega que a política tem oferecido. Mas, se alguém deixar o porto seguro em direção ao porto futuro... é com essa ou esse que eu vou sambar até cair no chão! COMUM ACORDO? Música e política fizeram um pacto histórico: retratar a situação política e social de um país e até do mundo. Algumas podem, indiscutivelmente, levar a reflexão crítica, não só da História como das estórias “odiernas” (sem o “agá” hein meu editor; data vênia, mestra Machiavelli), traduzindo o momento odioso e “muderno”. Afinal, desde Noel, não o da Arca, mas o da Rosa, todo mundo procura e não acha. HONESTIDADE “O seu dinheiro nasce de repente e, embora não se saiba se é verdade, você acha nas rua diariamente anéis, dinheiro e felicidade (...) e o povo já pergunta com maldade: onde está a honestidade?” Noel Rosa e Kid Pepe, numa crítica à complacência do povo brasileiro em perceber a corrupção e o desvio de verbas públicas... desde Noel, não o da Arca, o da Rosa, todo mundo rouba! “A GENTE” NÃO SABEMOS, MESMO! “Escolher presidente, tomar conta da gente, nem escovar os dente, tem gringo pensando que “nóis” é indigente. (...) A gente faz carro e não sabe guiar. A gente faz trilho e não tem trem pra botar (...) a gente faz filho e não consegue criar, a gente pede grana e não consegue pagar.... Inútil, a gente somos inútil! Inútil! A gente somos inútil...”. Ironia à capacidade da população brasileira traduzida em música. Este descontentamento histórico com o cenário político e com a extrema vulnerabilidade social do povo brasileiro e a vulnerabilidade da ética em desuso. “TRABAIA, TRABAIA, NEGO” “Trabalhar que nem um desgraçado a semana inteira. No sábado, porém, está duro (...). Era sábado e ele ali sozinho, sem nenhum tostão (...) vê se tem vergonha na cara (...) e ajuda, seu canalha”, de Arrigo Barnabé, que chama a atenção para a solidariedade. (Publicação Paz, como se faz – Lia Disben e Laura Roizman) Maria Ignez Archetti Consultora para o 3º setor, foi vereadora - mariaignez@comerciodafranca.com.br

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