Qual será a sensação de acordar e descobrir pela imprensa que a própria filha teria planejado sua morte? Mãe de Suellen, a dona de casa Eliana (não quis revelar o sobrenome) viu seu mundo desabar ao escutar a notícia pela Rádio Difusora ontem cedo. Ficou abalada, mas não acreditou nas acusações feitas por Joana Darc Aparecida de Souza, 22. “Como vai mandar matar os pais por causa de R$ 3 mil? Que lucro ela teria com nossas mortes? Somos pobres e não temos nada”, disse, indignada.
Pela primeira vez desde que o marido Severino Rodrigues, 37, foi assassinado, supostamente a mando da filha, Eliana quebrou o silêncio e falou com a reportagem na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Ela passou o dia na delegacia para acompanhar novo depoimento prestado por Suellen. Segundo os policiais, o encontro entre ambas foi frio.
A mulher, que em curto espaço de tempo perdeu o marido e viu a filha ser presa, disse que sua rotina mudou radicalmente. Deixou a casa em que morava no Jardim Luiza e contou que tem recebido “olhares atravessados”. Ela falou que os únicos bens da família são a residência e um carro financiado. “Meu marido não tinha seguro de vida. O que temos são dívidas. Ele trabalhava na sexta-feira para pagar a dívida no sábado. Não é verdade que ele carregava sempre mais de R$ 5 mil”, afirmou.
Aparentemente abatida, disse acreditar, pelo menos em parte, na inocência da filha. Para ela, Suellen até poderia ter tramado o roubo, mas não encomendado a morte do casal. “Acho que a Joana está tirando o dela da reta, tentando limpar a barra dela. O Ranieri cada hora fala uma coisa e está sobrando é para a Sullen agora”. Questionada se perdoava a filha, Eliana respondeu com firmeza. “Perdoar do quê? Até provar o contrário...”.
Talvez motivada pelo sentimento materno, acredita que a verdade ainda não veio à tona e que algo de mais sério possa ter ocorrido. “Minha filha nega o que estão falando (que encomendou as mortes). Ou ela está sendo pressionada ou está com medo de abrir a boca”. A mulher afirmou que o relacionamento dela e do marido com a filha seria normal, mas admitiu que ficou alguns meses sem falar com a garota. “Convivíamos bem, mas minha filha tinha mais intimidade com o pai do que comigo”, disse.
Eliana alegou que a filha estava desempregada na época do crime e que não teria dinheiro para pagar o suposto acerto com os criminosos. Finalizou dizendo que a filha não dava problemas e que era caseira. Isenta-se, também, de não ter educado Suellen com firmeza. “De jeito nenhum. Ela teve uma criação boa. Se errou, vai ter que pagar”.
Suellen e Joana Darc foram submetidas a uma acareação, ontem, na delegacia. A acusada admitiu ter efetuado um pagamento em cheque e repassado a foto do pai para a amiga, mas negou que fosse para matá-lo. Reafirmou a versão de que era para os marginais contratados cometerem apenas o assalto.
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