O tema orientador das comemorações da 6ª Semana Nacional de Museus em todo o Brasil, comemorado no período de 12 a 18 de maio – “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento” –, foi escolhido pelo Departamento de Museus e Centros Culturais (DEMU) do Iphan, pela sua importância e atualidade, sendo adotado também por todos países da Ibero-América, que declararam 2008 o ano Ibero-Americano dos Museus.
O conteúdo desse tema, complexo e abrangente, pretende dialogar com diversos setores do conhecimento e da sociedade, no sentido de refletir e construir políticas de inclusão cultural e cidadã. O tema é bem-vindo porque nos faz refletir sobre a função pedagógica e cultural do museu dentro no contexto das sociedades atuais.
Antes de aprofundar algumas considerações, deixo claro que essas reflexões têm caráter dedutivo, refere-se a princípios e orientações gerais e não visam nenhuma instituição, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.
Em artigo datado de 1975, o Prof. Paulo Duarte, considerando as possibilidades culturais das intuições museológicas, com audácia e erudição, aponta algumas maneiras equivocadas de encarar os espaços dos museus: “(...) jamais devem ser vistos como casas de objetos antigos ou descartados; objetos não mais utilitários encontrariam nos museus um local adequado à sua desfuncionalidade. Nesse sentido os museus seriam considerados como depósitos de coisas descartáveis; ao contrário, o museu deve ser considerado um espaço para a construção do conhecimento”.
Esse conhecimento deve ser socializado de diferentes maneiras: exposições de longa duração ou temporárias, cursos, semanas de estudos e divulgação. Assim o museu se torna adequado, onde pessoas especializadas e não especializadas encontram fôlego para o aprofundamento constante e sistemático do conhecimento. Toda a socialização do conhecimento necessita de um plano diretor curatorial, isto é, a divulgação deve ser tratada de forma especializada, com tema central e vários subtemas; além de encontrar maneiras pedagógicas para organizar as exposições.
Se aos museus cabe contribuir como produtores de conhecimento em diálogo com a sociedade, então, podemos novamente citar o Prof. Paulo Duarte: “Os museus devem ser organismos vivos, devem estar em constantes mudanças e transformações, para dialogar com profundidade com a sociedade que está também em constante transformação”.
É dentro dessas perspectivas – de reciclagem, transformação, pesquisa, socialização adequada do conhecimento produzido, a partir de suas coleções –, que um museu desempenha sua função de inclusão cultural e construção de cidadania e assim pode ser um agente efetivo para mudança sóciocultural.
Marcelo Pini Prestes
Arquiteto e Arqueólogo
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