Enterro de namorado vira briga de família


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Três irmãs querem transformar em uma disputa judicial o enterro do namorado de uma delas. A briga começou no domingo, quando Ivanil Nascimento da Silva resolveu sepultar Juarez Batista de Melo, 46 anos, homem com o qual mantinha um relacionamento havia dois meses, no jazigo da família no Cemitério Santo Agostinho. Juarez morreu de cirrose e seus familiares não tinham condições financeiras de pagar pelo enterro. Ivanil, então, mandou sepultar o corpo no jazigo de sua família sem pedir autorização a suas irmãs. A sepultura está em nome de Eurípedes Jerônimo de Souza, cunhado de Ivanil, que também não teria sido consultado. Para se enterrar uma pessoa, o procedimento é burocrático e exige a comprovação de titularidade do jazigo. Ivanil não a tinha no dia do enterro, mas conseguiu provar que o local era de sua família, apresentando a certidão de óbito de seu pai e o comprovante de que ele havia sido enterrado naquele endereço há sete meses. Comovido pela tristeza de Ivanil com a morte do companheiro e preocupado com a necessidade de baixar o corpo à sepultura, o coveiro acabou por enterrar Juarez no jazigo J-84. Sua mãe, Joana do Nascimento, estava junto e também apoiou o enterro. “Aquele local é da família. Está no nome do Eurípedes, mas meu marido é quem sempre pagou o plano funerário. Agora, quem paga sou eu”, disse. No dia seguinte, a irmã de Ivanil, Maria Rosa de Souza, descobriu o enterro sem sua autorização ou de seu marido Eurípedes. Na terça-feira, Maria foi à delegacia junto de sua irmã Leonise do Nascimento para elaborar um boletim de ocorrência sobre os fatos. As duas pretendem ingressar na Justiça para cobrar a correção do que afirmam ser um erro da Prefeitura. “O Juarez não era um ente da família, não devia ser enterrado lá sem que falassem nada para a gente. Queremos que a Prefeitura o desenterre”. Maria Rosa admite que seu pai pagou pelo plano, mas disse que a autorização para utilização da vaga no cemitério é de seu marido. Ontem ela esteve no Santo Agostinho para cobrar explicações. “Não vou admitir que enterrem um estranho no jazigo da família”, disse. Ismar Tavares, da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente e responsável pela administração, admite que houve um erro da Prefeitura e tentou minimizar o problema, defendendo o coveiro que atendeu o caso. Segundo Ismar, se houve má-fé, foi por parte da mulher, que informou que o terreno era familiar. “O coveiro quis resolver o caso da melhor forma possível, para não alimentar ainda mais a dor da perda de um ente”, disse. De acordo com o secretário, não haverá punição para o coveiro que permitiu o sepultamento. Ele disse ainda que, nesta quinta-feira, eles devem se reunir com a família e a administração do Cemitério Santo Agostinho para encontrar uma solução para o problema. Ivanil foi procurada para comentar o caso, mas não foi localizada.

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