O Cerrado e a Amazônia


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O mundo está preocupado com a Amazônia, responsável por 59% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, principalmente pelos desmatamentos e queimadas. Porém, os outros 41% ocorrem em sua maior parte no Cerrado. E para agravar a situação, o governo federal só tomará providências depois de 2010. O Cerrado está esquecido e abandonado. Ao contrário da Amazônia, pouca gente se importa. O desmatamento está em 1,1% do território ao ano, ou seja, 22 mil km2. A destruição já atingiu mais de 50% de sua área. Os responsáveis por isso são a agricultura e a pecuária. Some-se a isso a derrubada de 17,3 mil km2 nos últimos 10 anos para a produção de carvão vegetal para siderurgias de Minas Gerais. No Cerrado, encontramos um terço da biodiversidade brasileira, são 10 mil espécies de plantas, sendo que 4 mil delas são exclusivas do Cerrado. A biomassa do Cerrado é subterrânea, de raízes em busca de água em lençóis profundos. Se o álcool norte-americano provoca o interesse em desmatar a Amazônia para se plantar soja, no Cerrado são os próprios biocombustíveis que ameaçam. Para a Embrapa, restam menos de 5% do Cerrado em pedaços que possam sobreviver, com menos de 2 mil hectares o cerrado morre. E é no Cerrado que nascem os rios que abastecem as bacias do Amazonas, do São Francisco e do Paraná. E o INPE já constatou que os lençóis subterrâneos estão diminuindo. Preocupante, como já nos alertou o jornalista Washington Novaes com o exemplo da Represa de Itupararanga, Sorocaba, cujos rios perderam metade da água por causa do desmatamento. Assim como na Amazônia, a área já desmatada do Cerrado não está sendo aproveitada para agricultura, sendo possível, com isso, dobrar a produção agropecuária. O Projeto Canasat (www.dsr.inpe.br/canasat) constatou que 142 mil hectares de cerrado foram transformados em canavial. E ainda, a cana está ocupando o lugar das matas em oito Estados brasileiros. São Paulo é o maior destruidor, foram 86 mil hectares desmatados, Minas Gerais, 25 mil, Goiás, 13 mil, Mato Grosso, 12 mil e Mato Grosso do Sul, 6 mil A solução para o problema depende de políticas do governo federal para incentivar a expansão da cana em áreas subutilizadas por outras culturas. Como já sabemos, o próprio ministro da Agricultura age com desprezo ao cerrado e o governo federal planeja construir 20 usinas hidrelétricas e oito termoelétricas, consideradas desnecessárias segundo os especialistas do setor. Por isso, cabe-nos sensibilizar toda a classe política para pressionar o governo a salvar todo o bioma nacional. Os Governos podem fazer muito, outro exemplo foi a divulgação da pesquisa da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) mostrando que apenas oito empresas são responsáveis por 63% de toda a emissão de CO2 das indústrias paulistas, ou 18 milhões de toneladas por ano. São elas, a Cosipa, três refinarias da Petrobrás e uma petroquímica, a Companhia Brasileira do Alumínio, a Votorantim Cimentos e a Rhodia. Dióxido de carbono que pode facilmente ser capturado, bastando “vontade” (lei/ordem) política e ainda que pode gerar rendimentos. Mário Eugênio Saturno Tecnologista do INPE e professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva

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