Uma artista plástica de Franca foi testemunha-chave no inquérito que apurou o envolvimento de Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, na morte da menina Isabella Nardoni, então com 5 anos. A mulher afirmou ter presenciado brigas violentas - inclusive com tentativas de agressão - entre os acusados. Também alertou familiares de que o crime poderia acontecer devido aos ciúmes que Anna sentia da menina. Os relatos ajudaram a polícia e o Ministério Público a elaborar o perfil psicológico do casal e contribuíram para que a Justiça decretasse sua prisão preventiva.
No período de 2002 a 2006, a testemunha, que pediu para ter o nome resguardado, morou em uma casa em frente ao sobrado dos pais de Alexandre na Rua Marinheiro, no bairro do Tucuruvi, zona norte de São Paulo. Pouco depois, mudou-se para Franca. No dia 29 de março, foi surpreendida ao ver uma foto de Isabella na televisão. Lembrou imediatamente da menina.
Foi quando descobriu que a criança havia sido assassinada e que o pai e a madrasta eram os principais suspeitos. Como conhecia a relação conturbada do casal, procurou um amigo, que é advogado, e perguntou o que deveria fazer. “Ela me disse que tinha informações e não sabia se eram relevantes ou não para a investigação. Ao ouvir seus relatos, fiquei assustado e falei que deveria contar o que sabia à Justiça”, disse Luiz Gilberto Lago Júnior.
Ele próprio entrou em contato com o Ministério Público e repassou as informações. Após receber garantias de que teria a identidade preservada, a testemunha prestou depoimento formal. No dia 22 de abril, foi ouvida no Fórum “Alberto de Azevedo”, em Franca, pelos promotores criminais Murilo Jorge, José Lourenço e Joaquim Rezende. Foi acompanhada pelos advogados Luiz Gilberto e Mauro Bassi.
Três pontos de seu interrogatório teriam sido decisivos para que a Justiça decretasse a prisão dos acusados. “O primeiro foi uma briga que o casal teve. Minha cliente avistou o Alexandre arrumando umas motos na garagem. Em determinado momento, a Anna desceu pelas escadas e lhe entregou um telefone celular. Em seguida, pegou uma ferramenta e arremessou contra a cabeça dele. A Anna teve um ataque de histeria”.
Segundo o advogado, sua cliente freqüentava festas da família e teria presenciado demonstrações claras do ciúme que a madrasta sentia de Isabella. “A menina sentava no colo do pai e a Anna vinha, tirava a garota e se sentava. Era nítido que ela morria de ciúmes da menina”. Por fim, a artista plástica afirmou aos promotores que teria prevenido aos familiares de Alexandre de que algo trágico poderia ocorrer. “A testemunha abordou a avó paterna (Maria Aparecida Nardoni) e disse: você deixa sua neta sozinha com esta mulher? A Anna é capaz de jogar a menina do apartamento. Ao descobrir que Isabella havia morrido desta maneira, minha cliente levou um grande susto”.
Devido à riqueza de detalhes do depoimento, o promotor da capital, Francisco Cembranelli, responsável pelo caso, arrolou a testemunha para depor em juízo, quando 19 pessoas serão ouvidas na fase processual. Ainda não há previsão de quando isso acontecerá. A mulher se recusa a falar com a imprensa.
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