O renascimento do Capitão América


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Pedro Cirne Especial para o Comércio Steve Rogers morreu, mas sua outra identidade, o Capitão América, está viva e cada vez mais presente em novas HQs (Histórias em Quadrinhos), tanto nos EUA como no Brasil. O fim de Rogers, publicado no Brasil em fevereiro (em Os Novos Vingadores nº 49), foi cercado de mistérios. Faz sentido: a morte de um personagem icônico como ele não poderia decorrer de mera derrota nas mãos de um supervilão. O mistério do assassinato dá origem a outras sagas: quem o matou? Como os demais heróis reagirão a isso? E quem será o sucessor do nome e do uniforme do Capitão América? Steve Rogers vai “ressuscitar”? Nos EUA, o sucessor já é conhecido, e o resultado não agradou a todos. Hoje com 94 anos, Joe Simon, co-criador do personagem, desaprovou as mudanças. Em entrevista ao New York Times, afirmou que esse personagem “com a pistola e a faca (...) não é o Capitão América”. Ele disse ainda temer que “alguém saia atirando com pistolas em um campus” e que diga ter sido inspirado pelo personagem. No Brasil, a editora Panini aproveitou a onda após a publicação da morte de Steve Rogers para lançar o quarto número de Guerra Civil Especial (em fevereiro), que mostra os bastidores da saga, e a minissérie Capitão América - Morre uma Lenda, em março. Parte das respostas está nestas edições, parte é desenvolvida nas HQs do Capitão América e dos Vingadores, grupo do qual ele fazia parte. As duas séries são republicadas no Brasil em Os Novos Vingadores. Além das histórias atuais, duas publicações trazem dois momentos clássicos da carreira de Steve Rogers: Biblioteca Histórica Marvel - Capitão América nº 1, lançada no fim de abril a R$ 53 (224 págs.), e Os Maiores Clássicos do Capitão América nº 1, prevista para este mês a R$ 28,50 (212 págs.). A MORTE E O 11 DE SETEMBRO O Capitão América foi criado por Jack Kirby e Joe Simon em Captain America Comics nº 1, lançada em dezembro de 1940, mas com data de capa de março de 1941. Havia a Segunda Guerra e os “comics” norte-americanos estavam borbulhando, especialmente os estrelados por super-heróis. Neste contexto é que surge o Capitão América, cujo uniforme era praticamente a bandeira dos EUA. Seus inimigos, claro, eram todos nazistas. E seu maior aliado era Bucky, um parceiro-mirim. Mas aquele era outro tempo. Nas histórias da editora Marvel pós-11 de setembro, o governo norte-americano tomou uma decisão: todo super-herói, ou supervilão, é obrigado a se cadastrar no governo, dando o nome verdadeiro, endereço etc. E só os autorizados têm permissão para continuar em ação. É a Lei de Registro dos Super-Humanos, versão da Marvel para as medidas políticas promovidas por George W. Bush depois dos ataques terroristas. Nas HQs, como na vida real, a Lei de Registro (equivalente ao Ato Patriótico, que expande o poder das agências de segurança) gera polêmica. Os super-heróis que não aceitam ser registrados vão para uma cadeia em outra dimensão, de onde é impossível escapar. É a versão da Marvel para Guantánamo. Esta série foi batizada Guerra Civil e foca o estrago que o choque de ideologias pode provocar. Ela termina com Steve Rogers, identificado pelos demais super-heróis como o espírito dos EUA, preso e levado para ser julgado por traição. O SUCESSOR O novo Capitão América surgiu em Captain America nº 34, nove meses após a morte do original. Se não quiser saber quem é, pule o parágrafo abaixo. O atual Capitão é tão antigo quanto o original: James Buchanan Barnes, o primeiro Bucky, surgiu na mesma edição que seu antecessor. Depois, foi “morto”, “ressuscitou”, adotou outra identidade (Soldado Invernal), virou vilão, anti-herói e, agora, super-herói de novo. A grande diferença está no armamento. Agora, ele porta, além do escudo, um revólver e uma faca. Se o Capitão América, para sua editora, representa o País, seria isso uma crítica à atual política internacional dos EUA, que levou à invasão do Afeganistão e do Iraque? A Marvel sabe o que faz. Se esta nova identidade (ou conceito) do herói não vingar, ele pode sempre voltar às origens.

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