Poderia ser igual


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A transcrição a seguir, da coluna Objetiva, publicada pelo Comércio em 10 de maio de 1958, bem que poderia ter sido republicada em nossos dias, anos após, guardadas as devidas proporções. “Causou penosa impressão a assembléia geral ontem realizada no principal sindicato de trabalhadores desta cidade (o dos empregados em indústrias de calçados), que somente conseguiu reunir, mesmo assim em segunda convocação, não mais de noventa e cinco operários, num quadro social de cerca de 1.200 inscritos. Desses 95 elementos, vinte se retiraram após a assinatura do livro de presença e antes de darem seus votos a favor ou contra a contraproposta salarial que seria discutida. (...) A assembléia de ontem revelou completa ausência de espírito de classe e isso revertera em detrimento do prestígio da entidade sindical. Setenta e cinco pessoas decidiram em nome de mil e duzentas. (6,2 por cento, apenas!) (...) O trabalhador, iludido mais de uma vez em sua boa fé, é hoje um decepcionado, um descrente de nossas instituições. Infelizmente, continuará dividindo seus votos, perdulariamente, sem consciência política”. Alguns meses atrás, discutindo com um industrial que à época preparava a transferência de sua planta industrial de Franca para o Nordeste, entre os vários argumentos manifestados por ele para justificar a iniciativa que acarretaria no desemprego direto de aproximadamente 250 funcionários, destacava-se o fato de que nenhum sindicato operário atuava ainda naquela região. Isto possibilitaria certa flexibilidade na relação patrão-empregado, que Franca não possui. Financeiramente, para o referido empresário, era (e talvez ainda seja) algo muito atraente. Sempre questiono a associação - de empresários ou operários para preservar seus interesses coletivos. Ora a favor, ora contra, sempre manifestei minha insatisfação para com os modelos seguidos por essas associações. Creio que a associação pelos moldes antigos perde efeito sem atualização, prejudica pelo fato de ignorar a realidade que cerca o mercado dinâmico do qual fazemos parte queiramos nós ou não. Vale salientar que o modelo sindical trabalhista mantém-se praticamente inalterado desde sua formatação pelo governo ditatorial e fascista de Benito Mussolini, na Itália, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Os modelos de associações patronais por sua vez, parecem apenas reagir com palavras tímidas a qualquer ação que provoque prejuízo direto ao setor. Isto meus caros, desculpem a franqueza, não soluciona problemas. Falar, até papagaio fala. Em suma: os sindicatos (operário e patronal) de Franca, diante do modelo de mercado atual, vêm prejudicando mais que ajudando a seus associados. Falta atualização, falta deixar de lado frases feitas e palavras de ordem que imperam dentro destas instituições há décadas. Está na hora de tirar o cabresto, olhar para os lados e ver o prejuízo que sua muitas vezes conveniente - inércia vem causando ao setor calçadista de Franca. Está na hora de mudar de atitude para acompanhar a realidade atual, sob pena de continuar a ser um espelho de meio século atrás. Há alguns dias, destaquei nesta coluna que estamos perdendo terreno para o Nordeste. É momento de ser bairrista, sim! De proteger o patrimônio humano local, sim! De acordar à ação e tomar nas mãos a responsabilidade pelo mercado industrial conquistado com o suor de nossos pais e avós, sim! E os sindicatos, associações e entidades devem tirar os digníssimos traseiros de seus tronos e agir como representantes que são, de categorias que estão exigindo reação forte, imediata e geral. Vamos arregaçar as mangas agora, ou não teremos o que deixar a nossos netos. EM BELO HORIZONTE A direção da Francal Feiras vai a Belo Horizonte hoje se encontrar com calçadistas e lojistas, empresas que têm participação decisiva na história da promotora há décadas. Trata-se de um tour empreendido pelo presidente Abdalla Jamil Abdalla, iniciado em Franca para percorrer os principais pólos calçadistas nacionais no ano em que a principal feira da organizadora completa 40 anos. Abdalla afirma que é preciso reconhecer a todos que contribuiram para que a Francal - Feira Internacional de Calçados, Artefatos e Componentes atingisse o estágio de maturidade que alcança. O evento deste ano começa no dia primeiro de julho, no pavilhão do Anhembi, em São Paulo. PACOTE O evento deste ano promete. O governo federal acaba de anunciar um pacote especial de estímulo aos setores produtivos da economia nacional, o calçadista – finalmente – incluso. O calçado (que, durante anos) foi o principal item da pauta de manufaturados exportáveis do País sempre esteve exposto à concorrência predatória, problemas de câmbio e falta de uma política nacional adequada, mas jamais esmoreceu. Continuou buscando mercados internacionais (deixando a dependência eterna do mercado americano de lado), buscou a melhora de sua produção e adequou suas linhas de produção ao mais apurado design mundial. Ainda tem problemas? Tem. Mas também tem raça e competência para continuar fazendo diferença. E o pacote deve produzir bons resultados exatamente na ocasião da feira. Alexandre Polo Fischer Publicitário - Interino - alexandre@comerciodafranca.com.br

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