Em entrevista ao Se Liga, a psicóloga Fabiana Zagolin, que atende na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) há quase dez anos, explica sobre os excessos dos jovens - como o da garota T. - geralmente ocorrem pela vontade de aventurar de maneira arriscada. De mostrar que é mais ousado que o colega. “Isso tem muito a ver com o desejo de querer ser o centro das atenções”, diz. Segundo ela, o problema é o dia seguinte, quanto tem de encarar as conseqüências.
Comércio da Franca - É possível limitar os jovens?
Fabiana Zagolin - Limite é algo que começa desde a infância. Mas há pessoas que, mesmo grandes, não sabem até onde vão os seus. Aí, só vivendo mesmo.
Comércio - Os excessos têm a ver com o fato de jovens serem mais influenciáveis?
Zagolin - O adolescente é muito influenciável, até mesmo porque é nesta fase que ele vive a crise de identidade e novas descobertas. Para eles, é um outro mundo, outras expectativas, eles querem descobrir coisa novas.
Comércio - Por que os jovens partem para as drogas lícitas ou ilícitas?
Zagolin - Isso tem muito a ver com o desejo de chamar atenção, ser o centro das atenções. Mas são muitos os motivos que podem levá-lo a agir assim. Pode ser também para fugir da realidade. Às vezes o jovem não consegue lidar com algum problema e busca alternativas como álcool e drogas.
Comércio - E quais as conseqüências mais comuns desta escolha?
Zagolin - Eles tendem a ser adolescentes autodestrutivos e até mesmo suicidas, que não conseguem lidar com os próprios sentimentos e emoções, nem administrar a frustração. Correm o risco de ficar depressivos, serem vítimas de acidentes, comas alcoólicos, overdoses, enfim, danos irreversíveis.
Comércio - E quando se faz uma ‘burrada’ muito grande, como se deve agir no dia seguinte?
Zagolin - O importante é dar a volta por cima e tentar não repetir a dose. Não deixar que essa situação afete o seu dia-a-dia. O melhor é tentar construir com o erro, mas às vezes isso não acontece. Tem gente que simplesmente não se importa.
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