Para a família, dócil e amorosa; para a polícia, fria e dissimulada


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Quem via Suellen Rodrigues, 20, transtornada em volta do caixão do pai, chorando e se descabelando, certamente apostaria que filha mais amorosa não havia. Para vizinhos e parentes, a imagem era a mesma. Dócil e apegada à família, principalmente ao pai, Severino Rodrigues. No dia 21 de fevereiro, Suellen era a desolação em pessoa. Dois dias antes, a mesma tática usada pela filha no dia da morte fora empregada com seus comparsas. No dia 19, Severino saiu vivo da primeira emboscada porque se desencontrou daqueles que, supostamente, comprariam os retalhos de couro que ele tinha para vender. Não satisfeita, a filha montou e repetiu toda a operação, novamente. Na segunda vez, Severino não teve chance. Ontem à tarde, alguns vizinhos no Jardim Luiza II comentavam a prisão e demonstravam surpresa pela notícia. Na Rua Olívio Rodrigues, onde morava com o pai, a conversa girava em torno do assunto. “Não sei como ela teve coragem de fazer isso com ele. Ninguém consegue entender”, disse um vizinho, que se despediu da reportagem sem dizer o nome. Menina amável, interessada, de convívio fácil e que mal saía de casa. Essa é a descrição feita pela tia, Rosângela, que mora em uma residência em frente à que Suellen dividia com a mãe, Eliane, e os dois irmãos menores de 13 e 17 anos. Cunhada do comerciante morto, Rosângela disse que a menina aparentava ter uma relação muito forte com o pai. “Os dois eram muito próximos. Até ao ginecologista era ele quem a levava”, disse. Segundo a tia, toda a família está chocada. Rosângela sustentou que o cunhado nunca teria os cerca de R$ 5 mil ou R$ 6 mil que eram procurados pelos seus assassinos. A casa em que a família mora é simples, aparentemente sem acabamento. Um muro e portão altos fecham toda a frente. A moça descrita como uma filha amorosa estava em seu primeiro emprego formal e há três anos concluiu o ensino médio na Escola Estadual “Sudário Ferreira”, no Parque Vicente Leporace. Ao tocar no nome da sobrinha, que namorava Edson, primo de primeiro grau e sobrinho de Severino Rodrigues, Rosângela ainda colocou sua fala na condicional: “Se foi ela mesmo, é uma artista, porque o teatro que ela fez quando soube que o pai tinha morrido foi grande. Sua mãe chegou a dizer que bateria na cara de quem matou seu marido. Agora, como vai ser?”. O desfecho errado teria gerado desespero na moça, mas não arrependimento. Antes, foi ela quem procurou os dois rapazes, não o contrário. “Essa moça já estava envolvida com coisa errada faz tempo”, disse o investigador Amato.

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