Severino Rodrigues tinha 37 anos. Era um pequeno comerciante que vivia de comprar e vender retalhos de couro. No dia 21 de fevereiro, uma quinta-feira, foi se encontrar com uns rapazes que tinham ligado em seu celular oferecendo raspas de couro. Sem nem imaginar o que o esperava, Severino rumou para uma chácara na periferia de Franca na companhia de seu filho de 13 anos. Era uma emboscada. No lugar, dois idiotas, Ranieri Soares, 22 anos, e Tiago Ribeiro, 23, o esperavam. Depois de render o comerciante e exigir que ele entregasse seu dinheiro, executaram Severino com cinco tiros no peito. Tudo na frente de seu filho. Os acusados, que estão presos, esperavam roubar R$ 5 mil. Severino tinha R$ 200 no bolso. Foi tudo que levaram. Ranieri confessou o crime. Disse que foi Tiago quem atirou. Tiago admitiu na frente de dez testemunhas, inclusive dois repórteres do Comércio e o delegado Márcio Murari, que era o autor dos disparos. Depois, aconselhado por seu advogado, mudou a versão.
Gustavo Apolinário era um garoto com seus problemas. Tinha 15 anos. Foi visto com vida pela última vez no dia 2 de março, um domingo. Pretendia ir a uma lan house com amigos. Ninguém sabe ao certo se conseguiu. Seu cadáver foi encontrado um mês depois, em 31 de março, numa vala cavada pelo assassino, na mata do jardim Palestina. A morte de Gustavo foi brutal. O garoto foi assassinado a pauladas, facadas. O assassino era amigo da vítima. Aos 16 anos, o autor do crime disse que matou Gustavo porque este havia lhe dado um tapa na cara dias antes. Ninguém na polícia acredita. O mais provável é que tenha agido sob ordens de traficantes, irritados com o comportamento de Gustavo, que teria contraído algumas dívidas e realizado furtos na região do São Luis. Para matar o amigo, contou com ajuda de outro menor, de 17 anos. Um rapaz de 21 anos ajudou-os a enterrar o cadáver. Os dois menores estão presos. O maior vai responder em liberdade.
José Rodrigues Pizani, industrial aposentado, tinha 77 anos. Gostava de ir para o rancho. Havia combinado pescar com o sobrinho Luiz Carlos Rodrigues na manhã de 18 de março, uma terça-feira. Foi morto na madrugada anterior, a facadas, após ser espancado a golpes de pau. O assassino é Kauê Vianna, também sobrinho de Pizani. Aos 21 anos, o jovem matador morava na mesma rua do tio-vítima. Depois de matar Pizani, Kauê tentou roubar produtos eletrônicos e o carro da vítima. Levou roupas, cheques e dinheiro. À polícia, disse que matou o tio porque havia sido violentado por ele dez anos antes. Kauê está preso, mas poderá se defender, direito fundamental que negou ao tio.
Tiago, os menores que mataram Gustavo Apolinário e Kauê são representantes da escória, do pior tipo de gente. Frios, são capazes de matar por motivo torpe. São bestas, para quem a vida vale nada. Não mataram em legítima defesa. Não foram protagonistas de crimes passionais. Não agiram culposamente. Não pouparam suas vítimas de sofrimento. São assassinos cruéis.
Porque o mundo tem gente desse tipo é que defendo a pena de morte. Não acho que os índices de criminalidade vão diminuir. Não acredito na lei de Talião. Apenas penso que assassinos como eles não merecem viver. Condená-los à pena capital, assegurado o direito de defesa que negaram às suas vítimas, é a saída possível. E se for necessário uma nova Assembléia Constituinte, que a convoquemos.
O mundo não ficaria nem melhor nem pior. Mas pelo menos de bestas como estas estaríamos livres.
CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca
jrneves@comerciodafranca.com.br
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