Sabe, bicho, amanhã é o Dia das Mães. De todas, menos da sua. Você se lembra dela? Que perdeu toda a alegria de viver quando perdeu você? Você que a trocou por um punhado de falsos amigos, bebida, drogas, picadas e outras alucinações...
Sabe, bicho, amanhã um grande número de mães estarão chorando. Chorando de alegria e da felicidade que sentem com seus filhos presentes e alguns presentes outros, abertos.
Sabe, bicho, a sua estará chorando também. Ela não tem como sorrir. Ela está derrotada. E ela só não morreu ainda porque continua alimentando a esperança “de mãe” de fazer você nascer outra vez...
Sabe, bicho, mãe é assim mesmo. Lembre-se dela amanhã. Você não precisa provar que ainda é filho dela, mas você pode começar a provar a você mesmo que é um homem. O homem que ela sempre quis que você fosse. O que ela sempre sonhou.
Sabe, bicho, é bacana aquela empolgação de ser homem dentro dos padrões da mente infantil e doentia dos seus falsos amigos. É bacana provar seu machismo e seu heroísmo fumando seu primeiro baseado, tomando a liberdade de ingerir drogas ou aplicando a sua primeira picada.
Sabe, bicho, tudo isso poderá não ter volta, mas para os seus amigos, é um sarro. Será que tudo isso é bonito para sua namorada? Sua família? Par sua mãe? Será que prova para todos que você é mais homem do que deveria ter sido e não foi? Será, bicho, que os outros é que são quadrados ou será você que é?
Sua mãe, hoje, amanhã e sempre pensará em você como menino que foi e que ela nunca contestou, mas que desejou, gerou e amou. Amou toda a vida até começar a perdê-lo para uma guerra para a qual nunca esteve preparada. Infelizmente. Mas não se esqueça de lembrar sempre que seus amigos foram covardes quando tiraram você dela. Não foram humanos.
Eles usaram armas que ela desconhecia e ainda desconhece. Foi uma guerra desleal e é exatamente por isso que ela sofre. Sofre, mas não desiste de esperar que você volte a ser a criança que foi sempre a razão de viver dela.
Você vai ser pai um dia e, por isso, volte, bicho, correndo para sua mãe, hoje mesmo. Não espere por amanhã. Volte a ser o filho dela. Quem sabe assim, você deixe de ser chamado de bicho e se transforme de novo no filho que, desde que foi concebido, se tornou o melhor presente da vida dela.
Jerônimo Ribeiro de Matos
Professor de Português, fotógrafo e comerciante de automóveis
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