O desenvolvimento em ciência e tecnologia permite um controle maior sobre as potencialidades e os recursos de um país. No Brasil, temos visto profissionais realizarem pesquisa de ponta ou sobressaírem-se por alguma habilidade para, logo, serem atraídos por condições de vida e salários melhores em países desenvolvidos; além disso, assistimos a uma transposição de companhias e instalações transnacionais que, com seu agregado tecnológico, desfrutam aviltantemente dos nossos recursos humanos e materiais.
Dizem que se foi o tempo dos radicalismos e que só nos resta aprimorar a nossa modernidade, no entanto as políticas educacionais e de desenvolvimento científico têm que ser seriamente revistas.
Falta investimento em ciência e tecnologia no Brasil; ou o que se tem está aquém do que o país precisava ter, embora o presidente Lula tenha anunciado em novembro do ano passado que haveria um investimento de R$ 41 bilhões até 2010 neste setor.
Quando se estabelece uma empresa transnacional no nosso território, nossos governantes se apressam em mostrar os dados de geração de empregos, mas se esquecem que o conhecimento ou o “know-how” que lhe permite o funcionamento provém de pessoas que provavelmente as controlam de outro País. O Brasil, por enquanto, tem sido útil com sua matéria-prima barata, incentivo fiscal, vias de escoamento e alguns técnicos que se encarregam das questões burocráticas e rotineiras.
Entendo que o nosso país deveria promover a existência destas empresas transnacionais, mas de capital nacional, para que a nossa bandeira também esteja em outros países, mas o que se vê é um governo moroso que sobrecarrega os jovens empreendedores de travas e tributos e, ainda, não investe tanto quanto deveria no futuro da juventude, que desde cedo ouve de seus pais e outros bons conselheiros que há que estudar e ter uma profissão.
Por enquanto, o país contraiu uma dívida pela falta de investimento em educação, implantação de barreiras ao desenvolvimento pessoal e ao setor produtivo nacional, e carência dos setores científicos e tecnológicos. Estes que deveriam ser entendidos como investimento pelo governo, e não gasto.
As escolas públicas perderam o prestígio que possuíam e a mercantilização do ensino tomou espaço, jovens aprendizes e empreendedores são vítimas da falta de incentivo à consciência crítica e à realização pessoal seja com a obtenção de maiores conhecimentos ou rendimentos crescentes, as bolsas de pesquisa concentram-se em áreas mais técnicas e terminais da fase de estudos, ou seja, vemos que as humanidades e os cursos de graduação recebem menos incentivos financeiros que as biológicas e as exatas em nível doutoral para cima, embora tenha havido um reajuste no valor das bolsas de pós-graduação no país este ano.
E o desenvolvimento tecnológico nacional, embora não seja ruim, só não está melhor pelos motivos apontados anteriormente. Enquanto não tivermos um investimento ou um incentivo governamental considerável no capital humano do nosso País, o casulo das potencialidades de desenvolvimento não se abrirá. É necessário, por isso, investir muito dinheiro em educação para o maior número possível de pessoas.
Assim, não seremos mais avaliados pela capacidade técnica em entrevistas conduzidas por empresas transnacionais em território brasileiro, senão que teremos condições de questionar-lhes o papel que assumem no país e buscarmos nós mesmos criarmos nossas empresas, estudantes e profissionais com base em maior desenvolvimento científico e tecnológico.
Bruno Peron Loureiro
Bacharel em Relações Internacionais
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