R$ 16,5 mil?


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Não sabe? Quer uma sugestão? Que tal enterrar um deputado federal? Já sei. Você faria isso com muito menos dinheiro, não é mesmo? Mas nem adianta querer economizar. No Brasil é assim, se o dinheiro é público o acesso é privado, ou seja, só alguns têm acesso. Acesso mesmo deveria ter o povo diante de uma notícia dessas. Acesso de raiva. De acordo com o jornal Folha de São Paulo o projeto que institui o auxílio-funeral foi assinado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia – preciso citar o partido e o Estado dele? De acordo com o texto, a responsabilidade para realização de cerimônia fúnebre para deputados federais será da Câmara e o montante que poderá ser destinado para este fim será de R$ 16,5 mil reais. Vai ter deputado morrendo pelo menos umas três vezes no ano, senão até mais. Fico imaginando com o que gastar essa dinheirama toda. Pense bem você eleitor, trabalhador, pagador de impostos, se lhe dessem R$ 16,5 para você cuidar do funeral do seu tão amado deputado federal, o que você compraria? Cerveja? Fogos de artifício? Contrataria uma dupla sertaneja para fazer um show? Faria um baile funk? Compraria flores? Carvão e carne para churrasco? Já sei! Ligaria pro Ronaldinho e pediria o número do celular dos travestis e daria uma grande festa... Errei? Sei lá então! Quem sabe você não contrataria o pessoal do funk do quadrado para dançar em volta do caixão. Imagina só o cara lá esticado e todo mundo em volta dançando o funk do quadrado... Ia ser o máximo. Também podia ser o “creeeeuuuu”, se bem que nesse caso o “creeeuuu” foi no seu bolso, para dizer o mínimo. É tanta grana para gastar com tão útil cidadão que nem sei como eu investiria. Sim, investiria... Afinal de contas, enterrar um deputado é um investimento a longo prazo, tipo “a gente se vê do outro lado”... Se Luiz Neto, meu editor, permitir, gostaria de lançar um concurso: “Como você gastaria os R$ 16,5 mil do auxílio-funeral para os deputados federais?”. Você pensa, escreve para mim e a idéia mais criativa ganha um prêmio. Vou tentar aprovar isso com ele. Enquanto não acontece, deixo aqui a minha sugestão – claro que eu também concorreria, por que não? – : eu gastaria cada centavo desse dinheirão para convencer o coveiro a sepultar o nobre deputado de bruços. Não entendeu? Eu explico contando um “causo”. Dois sujeitos conversavam num bar: – A minha sogra é uma tremenda de uma jararaca! Quando ela morrer eu vou enterrá-la de bruços! – De bruços, espanta-se o outro. – Pra quê? – Não quero correr o risco de ela acordar e tentar sair cavando! Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico e conselheiro do Comércio da Franca

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