Ari-ganha! Ari-ganha!!!


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Em aniversário de criança se vê de tudo. O cenários das festas de hoje mexem com a imaginação dos pequeninos: personagens de desenho animado, super-heróis, brinquedos, bichos de pelúcia etc., garantem a alegria ao transportá-los para microuniversos fantasiosos. Em um destes cenários, lá estava eu. A mistura de sons no ambiente era diversa: música, burburinho dos adultos, balões de festa estourando, língua-de-sogra, apitos e claro, gritos das crianças ressoando no ambiente. Daquela mescla sonora, uma vozinha tilintante me chamou a atenção. Vinha do lado esquerdo do salão de festa. Seu emissor não tinha mais que 80 centímetros de altura e aproximados 5 anos de idade, gritando a plenos pulmões: ‘ari-ganha! ari-ganha!!!’, e apontava o dedinho indicador para um dos pilares do recinto. Pensei em voz alta: está aí uma coisa interessante que não havia cogitado... Esse molequinho parece estar querendo dizer algo... Mas o que teria ele visto ou ouvido a ponto de persuadi-lo a bradar palavras de ordem com tamanha eloqüência e vigor? Teria algum adulto em sua volta dito algo saído do secreto de seu íntimo e assim reproduzira o garotinho em alto e bom som o que ouvira? Naturalmente passei a acompanhar, de longe, os movimentos do suposto “correligionário-mirim”; que continuava direcionando o dedo para alguma coisa que não era possível visualizar de onde eu estava. O gurizinho ria, batia na mesa, bebericava o refrigerante e, novamente, com o dedinho em riste apontava e gritava: “ari-ganha! ari-ganha!!!” Tentado em descobrir para o quê ele apontava decidi me posicionar melhor. Não demorou muito e, lá estava. Bem ao lado de um dos pilares do salão de festas, discretamente posicionado, estava um bicho de pelúcia grande que constatei depois ser uma réplica de uma ariranha, animal semelhante à lontra, típico do Pantanal mato-grossense. Aquele garotinho sapeca ao trocar o “r” pelo “g” proferindo “ariganha” ao invés do pronunciamento correto que seria “ariranha”, acabou por me pregar uma peça. Valeu! Fez-me, por alguns instantes, conjeturar probabilidades num momento novo em que a cidade poderá vivenciar processo inédito: o do segundo turno nas eleições majoritárias; quando os candidatos “favoritos” não atingem maioria absoluta dos votos no primeiro turno dando início a uma nova disputa redesenhando o quadro eleitoral do pleito que podem reservar surpresas. Aliás, boa hora seria para posicionamentos talhados por amadurecidas decisões no cenário político para a democrática corrida ao Executivo municipal. A cidade cultiva sua histórica grandeza, status conquistado por ter tido a honra de ser governada no passado por grandes homens. Talvez, a cidade silenciosa espere por nomes capazes de oferecer um real estado de tranqüilidade e evolução, livre de traumas e de tensões. Aos dotados de coragem e de experiência, que se articulem para a disputa. Saiam para a luz, abandonem o ostracismo e desçam para a arena. A vida é curta! E oportuno seria também lembrar o que dizia São Tomás de Aquino: “Quem poupa o lobo, condena as ovelhas”. Ricardo Veríssimo Júnior Funcionário público, ex-conselheiro de Saúde e conselheiro do Comércio

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