Maio lembra mãe, palavra que por si só carrega cargas significativa e conotativa das maiores. Mesmo assim, algumas mulheres divergem da própria natureza e não cumprem o papel delegado a elas pela responsabilidade de ter trazido uma pessoa ao mundo.
No mundo do animal irracional a vivência é diferente. Não faz muito tempo, uma gata teve quatro filhotes dentro de um dos cochos de um curral, aproveitando-se da forragem de capim seco triturado. Como os gatinhos estavam em perigo pela presença constante de bezerros, eles foram colocados pelos humanos em uma caixa, fora do alcance de um ataque bovino acidental.
No outro dia, ainda de olhos fechados, os filhotes estavam dentro do ninho antigo. Quem os teria levado ao lugar em que nasceram? A caixa foi então forrada com restos de capim seco e os gatinhos novamente foram colocados dentro dela. Não demorou muito, a gata apareceu, pegou-os um a um com a boca e os transportou pacientemente para o local inicial. Tal tarefa era executada com muita dificuldade, pois para se chegar ao cocho há um alambrado. Este era transposto pela gata, com o filhote na boca. Operação executada por quatro vezes, incansavelmente.
Para que a ninhada de gatinhos não ficasse exposta ao perigo, foi recolocada na caixa. O cocho foi tampado com uma telha de amianto. A gata ainda transportou um filhote de volta, mas percebendo a impossibilidade de depositá-lo onde queria, desistiu do intento e voltou a deixá-lo junto aos irmãos. Por vários dias, ela cuidou da prole ali mesmo, com um carinho de fazer inveja a muitas mulheres.
Quando finalmente os gatinhos conseguiram sair da caixa, a gata mudou o comportamento. Poucas vezes os deixavam mamar, forçando-os a caçar. Distanciou-se dos filhotes aos poucos. Até que um dia, cada membro da família tinha uma vida autônoma.
Os humanos, ah!, os humanos. Quantas mães (mães?) já abortaram, deixaram filhos na maternidade, em caixas de papelão na porta dos outros, em lagoas e muitos outros lugares, para deles se livrarem. Sim, nem todas fazem isso! Mas poucas são imitadoras de gatas, cuidando do filho quando realmente precisam, sabendo o momento certo de passar responsabilidades. Ser mãe provavelmente seria isto: capacidade de gerar e criar alguém preparado para o mundo, com visão social, capaz de ver seus direitos e principalmente deveres.
Antigamente, para agradar uma mulher, bastava dizer-lhe que sua filha era uma gata. Hoje, não! Se ouvir isso, sente-se ofendida. Ela é que quer ser chamada de gata. Quer ser uma mãe gata. Esquece-se de que a maior beleza da mulher está em ser uma gata mãe. A posição do adjetivo pode mudar todo o contexto. Veja a diferença: pobre mãe e mãe pobre.
Rica mãe é aquela que cuida do filho, como uma gata cuida dos filhotes, até o momento em que eles necessitam de cuidados. Pobre mãe é aquela que quer sonhar todos os pesadelos do filho, impedindo que ele cresça psicologicamente sozinho, por si mesmo. No tempo certo. Claro está.
Antônio Araújo
Professor de redação – E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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