A diferença é humana


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Um industrial de calçados me entregou, a alguns anos, a responsabilidade de encontrar razões para quedas de pedidos – que resultavam em quebras de produção e conseqüentes demissões – em algumas épocas do ano. Pesquisa iniciada, uma primeira e interessante constatação: a compra de calçados masculinos era finalizada por mulheres em sua maioria! Mais de 50% delas buscavam presentear seus homens (pais, filhos, maridos, namorados e...), com concentração em determinados períodos do ano, principalmente Dia dos Pais e Natal. Pelo menos uma parte do desafio – a compreensão do mercado interno – estava vencido. No mercado externo tal “anomalia” não se registrava. Na Europa e nos Estados Unidos, calçado é bem de consumo rotineiro e não apenas item de presenteio; aqui o brasileiro calça 1,8 pares de calçados de couro por ano, enquanto os europeus continuam na casa dos 6, quase 7 pares/ano. Pois bem. O industrial que me encomendou a pesquisa queria entender a razão das quedas porque tinha grande preocupação com as demissões que sistematicamente tinha que fazer. Demissões em dezembro e janeiro, com recontratações entre janeiro e fevereiro; outra leva de perda de empregos em junho e julho e retorno em fins de julho e agosto, conforme atesta o Sindicato dos Sapateiros de Franca. E a explicação: cai o consumo, caem os pedidos, cai a linha de produção, cai a oferta de emprego e eleva-se o de demissões, em contraponto ao estímulos representados pelas feiras (Couromoda em janeiro e Francal em julho), além das datas do Natal e dos Pais. O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, confirma: os últimos dias de 2007 e primeiros de 2008 contabilizaram acima de 3,7 mil demissões no setor calçadista (preponderantemente entre industrias de calçados masculinos), dentre os funcionários com mais de oito meses de registro em carteira. E Afonso acha que o número é ainda maior: “deve atingir, na realidade, cerca de 20% do total de vagas do segmento na cidade, considerando-se também as informais, fundos-de-quintal, etc”. E completa: “entre os últimos dias de junho e meados de julho a queda é um pouco menor, mas não é menos preocupante”. Acabar com um hábito cultural enraizado como este, apesar de possível, não é nada fácil e demanda anos, talvez mesmo décadas de altíssimos investimentos em mídia, visando fazer crescer o número de pares de calçados consumidos pela população. Nada simples porque esbarra também em custos mais adequados aos bolsos da população, qualidade inclusa e não ítem desprezível. Parte do empresariado busca soluções em outros rumos. Alguns têm dividido a responsabilidade com seus funcionários: quando vem a queda de vendas, compõem planilhas em que a mão-de-obra decresce, visando manter o trabalhador no trabalho. Outros têm produzido estoques de pronta-entrega visando o mercado futuro, como a estoques reguladores, com manutenção dos funcionários. Outros, ainda, gerenciam seu capital humano redistribuindo-o em pólos produtivos internos às empresas, de modo a oferecer mercado interno e externo. As empresas estão se movimentando, mas ainda não há um estudo que leve em conta as várias estratégias que estão sendo tentadas. E isso faz falta. O que se pode afirmar é que empresas que têm valorizado seu pessoal estão alcançado resultados novos e estimulantes. Embora ainda sejam poucas, estas empresas. Infelizmente. NOVOS CONSUMIDORES O coordenador do Núcleo de design e estilista da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), Walter Rodrigues, apresentou estudo sobre o surgimento de novos e potenciais consumidores no mercado da moda, durante o pré-lançamento do fórum de Inspirações para Calçados e Artefatos - Inverno 2009, na Fenac de Novo Hamburgo na última semana. Segundo Rodrigues, "a relação entre o comportamento do consumidor com as atitudes das empresas, em que atualmente, os consumidores emergentes ao redor do mundo, por meio de facilidades de compra e crédito, conquistam relevância no mercado". Desta forma, os produtos ofertados a preços módicos e com maiores opções de crédito possibilitam às classes C e D mais acesso à aquisição de produtos de moda e bem-estar. PERDENDO ESPAÇO 1 Estudos, projetos e ampliações do setor calçadista continuam ocorrendo, mas muito, muito longe de Franca. Falta organização, pressão ou interesse político para que nossa região reconquiste seu espaço no cenário. Enquanto isso, localidades "novatas" no setor continuam ganhando espaço. PERDENDO ESPAÇO 2 As Alternativas para o Calçado Brasileiro: este é o tema central do 12º Seminário Nacional da Indústria de Calçados, realizado pela Abicalçados com o patrocínio do Sebrae Nacional, dias 8 e 9 deste mês, em Fortaleza, no Ceará. O evento, que acontecerá na sede do Sebrae da capital trará alguns dos mais renomados especialistas do mundo, que mostrarão aos industriais brasileiros um panorama do mercado mundial de calçados. PERDENDO ESPAÇO 3 Dez novas unidades de produção de calçados serão implantadas na Bahia. Os empreendimentos vão resultar na criação de 7,8 mil empregos diretos. Entre as empresas, a Azaléia vai injetar o maior montante, cerca de R$ 27 milhões em sete plantas industriais. Alexandre Polo Fischer Publicitário - Interino - alexandre@comerciodafranca.com.br

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