Odemir Anastácio, o galã dos 38 votos


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Odemir Anastácio, pelo voto direto ganharia até a presidência da ONU, mas uma vaga na Câmara Municipal de Franca...
Odemir Anastácio, pelo voto direto ganharia até a presidência da ONU, mas uma vaga na Câmara Municipal de Franca...
Entrar em uma disputa eleitoral não é missão fácil. Exige tempo, investimento financeiro e disponibilidade para enfrentar situações inusitadas, como cumprimentar um desconhecido com entusiasmo, como se fosse um velho amigo e pedir apoio a ele. Tudo isso por uma chance mínima. Na Câmara Municipal, são 15 vagas para centenas de candidatos. Em 2004, foram 251. Proporcionalmente, é uma vaga para cada 17 concorrentes. Uma campanha é desgastante até para quem não se dedica muito e evita gastar dinheiro. O designer Odemir Anastácio (PV), 43, morador no Jardim Aeroporto, é um bom exemplo. Ele diz que chegou até a enfrentar problemas de saúde em 2004, quando se candidatou a vereador. “Eu não sabia o que era pressão alta”, disse ele, que nunca havia sofrido com hipertensão antes da corrida eleitoral. No final, teve 38 votos. Situação semelhante viveram por outros 19 candidatos, que, como Anastácio, não chegaram aos 50 votos. Outros 28 não atingiram uma centena. Todos ficaram bem longe dos 1,9 mil que levaram Marcelo Mambrini (PMN), o menos votado entre os 15 eleitos, à Câmara Municipal. Para o designer, o pequeno PV foi o que comprometeu seu desempenho. “Em um partido grande, garanto que teria 3 mil votos”, afirma. Comércio da Franca - Como é receber tão poucos votos? Odemir Anastácio - Para você ter uma base, em 1992 fui candidato pelo PDT e tive 700 e poucos votos. Nessa eleição passada, 12 anos depois, tive 36. O que foi na verdade que me faltou? Partido. Quer dizer, eu não estava em um partido, em alguns momentos eu achava que estava em uma seita religiosa. Até gosto das ideologias do PV, mas na prática do voto não funciona. Faltando 30 dias para a eleição eu desisti e nem acabei a campanha. Eu não sabia o que era pressão alta e a reunião desse pessoal me deixava de pressão alta (...) mas eu continuo filiado ao PV. Comércio - E se ao invés do PV o senhor estivesse em um dos partidos considerados grandes, quantos votos acha que teria conseguido? Anastácio - Em um partido que prega a política e que corre atrás do voto, garanto que teria 3 mil votos. Comércio - O senhor chegou a gastar muito durante a campanha? Anastácio - Campanha? Não havia campanha. Não houve campanha de ninguém. Em 92, fizemos campanha e elegemos um prefeito que estava com um índice de rejeição violento (Ary Balieiro, do PTB). Promovíamos bailes e almoços para levantar fundos. Nessa de 2004, quando a gente conseguia levantar algum dinheirinho era para escrever “PT nunca mais”. Coisa que não tinha nada a ver com voto. Comércio - Então, não gastou nada? Anastácio - Ninguém gastou nada, porque não houve campanha na realidade. A gente se reunia pensando que iria fazer uma estratégia para a gente ir para a rua e ficava discutindo sobre uma coruja que morreu na estrada de Claraval, que o litoral paulista está poluído. O litoral vota? A coruja gera voto? No horário gratuito eu “preguei o pau” nos correligionários dizendo que aquilo não era uma campanha. Comércio - O senhor pensa em concorrer de novo? Anastácio - Tenho 43 anos, mas se você olhar para mim fala que eu tenho 18. Minha namorada tem 19 e eu perto dela nem pareço que sou mais velho. Comércio - Apesar de todos os problemas, 38 votos parece pouco. Sua família é grande? Anastácio - Nossa, minha avó teve 14 filhos, isso só do lado de minha mãe. Minha família, os votantes, elegeriam um candidato. Com certeza. Em 92 teve um bom exemplo. Eu era apenas um garoto, mas fazia reuniões com meus parentes, pus os meus parentes na rua, fiz uma campanha política. Tanto é que fui o primeiro suplente. Mas, passados 12 anos, tudo o que ganhei na campanha de 2004 foi tensão. Comércio - Você se decepcionou? Anastácio - Pelo contrário, no dia da eleição estive o dia todo com uma menina que se candidatou e falei para ela que eu teria 30 votos e ela 150. Esses 38 votos que tive foram todos de garotas que queriam se casar comigo naquela época. Votaram em mim porque me amam. Hoje, se eu fosse candidato, seriam umas 80 que votariam. Comércio - Então, deveria se candidatar, já que está tão bem com o eleitorado feminino. Anastácio - Nossa. Eu estava vendo meu Orkut e parece que meu charme passa as barreiras dos territórios. Tenho pedidos de namoro do Egito, Cairo, da Índia, Espanha, Canadá. Se para ser presidente da ONU fosse por voto direto eu ganharia sem fazer campanha.

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