Célia Malaspini, 50, e Maria Gorete Pauly de Matos, 48, são donas de casa em Franca, sofrem de pressão alta, colesterol e têm uma vida sedentária. Porém, desde o início de abril, elas e outras 18 mulheres com idade e perfil semelhantes têm participado de um projeto de doutorado onde há ingestão de suco concentrado de uva e prática de exercícios físicos como forma de prevenção de doenças cardiovasculares. No projeto, metade das mulheres utiliza a bebida e a outra não. O objetivo é descobrir ao final de 12 semanas, se houve alteração nos índices do colesterol e da pressão das participantes.
O estudo é realizado pela professora de cardiologia, Cynthia Kállas Bachur, e acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras, no período da manhã, na Clínica de Fisioterapia da Unifran (Universidade de Franca). A orientação é da professora doutora Maria Suely Nogueira da USP/Ribeirão Preto.
Os exercícios são feitos em esteiras e bicicletas ergométricas. A turma ingere o suco de uva antes do início das atividades. São 250 ml de um suco concentrado a cada sessão de meia hora de duração. A bebida foi doada por uma vinícola do Rio Grande do Sul. Outro grupo com dez mulheres só ingere água. Todas, no entanto, são acompanhadas por uma nutricionista e precisam apresentar o diário alimentar.
Todas as mulheres selecionadas para o programa sofrem de colesterol alto e de hipertensão. A professora Cynthia explica que elas fizeram exames bioquímicos para confirmar o nível das doenças. Em seguida, elas foram distribuídas por um programa de computador que fez uma análise estatística. “No final dos três meses veremos se houve diminuição das variáveis que estamos estudando. Queremos comparar a eficácia do suco de uva com o exercício”.
RESULTADO
Com o resultado, a intenção de Cynthia é sugerir um tratamento não farmacológico, com o uso do suco de uva e exercícios físicos, para mulheres sedentárias para prevenir doenças cardíacas. “Esse projeto é piloto, depois das 12 semanas é que iremos determinar o número específico de pacientes para realizar o projeto completo”.
Mesmo sem saber se o teste terá resultados positivos ou não, as mulheres participantes aprovam a iniciativa e já se sentem melhor com a prática dos exercícios. Maria Cristina Pessalacia Pauly Silva, 44, moradora no Jardim do Éden, diz que está mais disposta e na expectativa de que o suco faça efeito. “Sou do grupo que não toma o suco, mas se tudo der certo ao final do projeto passarei a tomar, sou obesa e tenho pressão alta”.
De acordo com a professora, a associação de suco de uva e exercícios físicos para a prevenção de doenças cardíacas é inédita na área e utiliza somente mulheres nos testes, por elas serem mais propensas a terem problemas cardíacos.
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