Um país de carroças!


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O comportamento de determinados setores da sociedade brasileira, os métodos de trabalho de muitos de nossos homens públicos e principalmente o insistente discurso em prol da construção de uma sociedade na qual o hoje é o dia mais importante da vida me dão a impressão de que estamos num país de carroças. Vejamos por exemplo os últimos acontecimentos envolvendo movimentos relacionados à reforma agrária – invasões, destruições, desrespeitos à ordem, ao direito de ir e vir, desobediência à legislação, desconsideração do direito de propriedade, e para quê? Para nada. Absolutamente nada. Nem as declarações dadas pelos líderes de tais movimentos são capazes de construir algo de útil. No que diz respeito aos políticos e suas políticas, sejam elas legítimas ou extraconjugais, ouvimos discursos inflamados em prol da moralidade, da ética, da justiça, e para quê? Para nada. Absolutamente nada. Não passa disso, um conjunto de palavras incapazes de produzir algo concreto em prol da segurança, da saúde, da educação, em prol do Brasil como nação que deveria ser. Além desses, outros tantos correm todos os dias atrás do prejuízo. Assim mesmo, com a conotação que a frase dá – correr atrás do prejuízo. Gente que fica o dia todo correndo atrás de coisas que não são capazes de agregar nada de bom à suas vidas, mas mesmo assim insistem no discurso do moderno, do arrojado, do excêntrico, e para quê? Para nada. Absolutamente nada. Tais vozes que tanto têm ocupado noticiários. Tais vozes que bradam palavras de impacto. Tais vozes que por vezes parecem ecoar a verdade, a solução, para logo em seguida pouco ou nada resolverem, me fizeram concluir - somos uma nação de carroças. E pior, de carroças vazias. Não entendeu? Eu explico. Era uma linda manhã de outono. O pai convidou o filho para que juntos fizessem uma caminhada até o bosque. Cheio de alegria por causa do convite o jovem segue ao lado do pai rumo ao belo bosque. Lá, caminham silenciosamente. Não há uma palavra capaz de quebrar o encantamento daquela manhã, apenas o canto dos pássaros ocupa seus ouvidos. Mais à frente uma clareira permite observar o céu azul e o brilho do sol. Neste momento o pai pergunta ao filho: – Que ouves meu filho? – O cantar dos pássaros, meu pai. – Só isso? – Não, ouço também um barulho, que mais parece um barulho de carroça. – Cheia ou vazia meu filho? – Como posso saber meu pai? Não a vejo, apenas ouço o seu barulho. – Pois sou capaz de jurar que é uma carroça vazia, meu querido filho. – Como pode saber disso se você também não a vê? – Simples,meu filho. Carroça com algum conteúdo faz pouco barulho; carroça sem nenhum conteúdo faz muito barulho! Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, integra o Conselho de Leitores do Comércio

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