Com 210 atendimentos em média realizados por dia, os três cartórios eleitorais de Franca registram, desde o início do ano, um aumento de 162% na demanda para emissão de primeira e segunda vias, revisão e transferência de títulos de eleitor em relação ao ano passado. Juntos, em 2007, eles não realizavam mais que 80 atendimentos diários.
E estas 130 pessoas a mais por dia nas filas tendem a se multiplicar. Os chefes dos cartórios esperam que esse movimento dobre com a proximidade do dia 7 de maio, quando termina o prazo para a regularização do documento.
Além do vencimento deste prazo, outra justificativa apresentada para o aumento da movimentação é o fato de 2008 ser ano de eleições municipais, o que, tradicionalmente, faz lotar os cartórios. “Os eleitores não querem deixar de apoiar seus amigos, parentes ou conterrâneos. Sem contar que temos cada vez mais jovens querendo votar, o que também aumenta as filas”, disse a chefe da 46ª zona eleitoral do Cartório de Franca, Flávia Barros de Sá. “No último dia de prazo em 2006 atendemos a mais de 400 pessoas só aqui”, completou.
As pessoas que perderem o prazo para a regularização do título não poderão, imediatamente após esta data, fazer a revalidação ou tirar o documento. Terão de esperar, pelo menos, até o mês de dezembro. “No final do expediente do dia 7 o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) bloqueará o sistema e não conseguiremos emitir mais nenhum título”, garante o chefe do Cartório da Estação (291ª Zona), Ronaldo Luis Tristão.
Sem o título, o cidadão não consegue tirar e renovar o CPF, abrir conta bancária, renovar ou solicitar a emissão de passaporte, renovar matrículas em escolas ou se inscrever em concursos públicos. Além disso, a falta de iniciativa poderá pesar, de leve, no bolso, já que, com o título irregular, o cidadão é impedido de votar. “Quem não votar ou justificar o voto pode ser multado e ter o documento cancelado. Nesse caso, só vota se solicitar a segunda via”, disse Tristão. Caso não vote, a pessoa tem de pagar multas entre R$ 3 e R$ 3,51.
O pespontador Charles Allan Pereira, 18, preferiu evitar problemas. Na última terça-feira, aproveitou seu horário de almoço e esteve no cartório. “Preferi não votar com 16 anos. Agora sou obrigado e não quis deixar para os últimos dias. Vai encher de gente e tenho pouco tempo”, disse.
Segundo a chefe do cartório que atende a região, Joalina Oliveira, essa não é a atitude da maioria das pessoas, que deixa a regularização sempre para a última hora. “Nos últimos dias aumenta muito o movimento. Aqui atendo 70 pessoas por dia, quase 20 a mais do que vinha atendendo”, afirmou.
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