Vereadores fazem reunião secreta para discutir aumento


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Vereadores, na foto acima durante sessão da Câmara Municipal, podem fixar salários em R$ 7 mil mensais a partir de 2009
Vereadores, na foto acima durante sessão da Câmara Municipal, podem fixar salários em R$ 7 mil mensais a partir de 2009
Uma reunião a portas fechadas, realizada na última terça-feira, na Câmara Municipal, uniu situação, oposição e parlamentares “neutros” para tratar de um assunto de interesse comum: o aumento dos próprios salários. Embora não tenha havido consenso, uma parte dos presentes defendeu que o ordenado atual, R$ 4,3 mil, salte para R$ 7,2 mil a partir de 2009, em um reajuste de quase 70%. Um novo encontro está marcado para terça que vem. A definição tem de acontecer até o dia 7 de junho -120 dias antes das eleições. O encontro durou mais de 40 minutos e foi realizado sob sigilo - nem assessores tiveram acesso à sala da Presidência. Segundo dois dos presentes, chegou a ser feito um “pacto de silêncio” para que nada vazasse para a imprensa. Não deu certo. De acordo com as mesmas fontes, havia três correntes distintas. Uma delas reivindicou o generoso aumento; outra prefere uma auditoria do Departamento Financeiro para calcular as perdas salariais desde 2005 e achar o meio-termo. A terceira acha justo apenas o repasse inflacionário de 4,6%. Na reunião, a maioria teria se posicionado favorável ao ordenado de R$ 7 mil. Até porque não seria ilegal. O artigo 29 da Constituição Federal limita os vencimentos de vereadores, para cidades do porte de Franca - acima de 300 mil habitantes - em até 60% do salário de um deputado estadual, hoje em torno de R$ 12 mil. Mas, questionados ontem, talvez com medo da repercussão popular, somente dois assumiram tal posicionamento. Os demais evitaram falar na possibilidade. “Acho que é justo ganhar o que a lei determina. Se é direito, não tem nada de mais”, disse Zezinho Cabeleireiro. “Além disso, não sabemos se seremos reeleitos”, completou. A afirmação de Zezinho é plausível. Nenhum deles tem garantias de continuidade. Mas a vontade de ficar é quase unânime. Dos atuais 15 vereadores, 13 são virtuais candidatos à reeleição. Luiz Carlos Fernandes (PSDB), que se aposentará da política, e Gilson Pelizaro, pré-candidato do PT à Prefeitura, deverão ficar fora da disputa. Marcelo Valim (PSDB) e Válter Gomes (PSB) disseram estar contrários a qualquer tipo de reajuste além do índice de inflação. “Eu não concordo com aumento algum. Acho que os vereadores já recebem um bom salário”, afirmou Valim. AGRADO GERAL O prefeito Sidnei Rocha (PSDB), o vice, Ary Balieiro (PTB), e os oito secretários municipais também serão agraciados com reajustes. Só não se sabe de quanto. A determinação dos índices é responsabilidade da Câmara e será discutida nas próximas semanas. Os parâmetros de aumento são totalmente desvinculados. Pode-se, por exemplo, conceder os 70% aos vereadores e os 4,6% da inflação aos demais. Para o secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, um bom reajuste ao secretariado seria bem-vindo. Atualmente, o salário é de R$ 5 mil mensais. “Nem falo por mim, mas é um cargo que demanda dedicação total. O (Sebastião) Ananias (secretário de Finanças), por exemplo, é um homem competente e certamente ganharia muito mais que isso na iniciativa privada”, disse.

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