Mulher sente dores dia e noite; DRS nega remédio


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Sônia Regina precisa de um analgésico para aliviar dores, não pode comprar e não ganha na rede pública: sofrimento ao extremo
Sônia Regina precisa de um analgésico para aliviar dores, não pode comprar e não ganha na rede pública: sofrimento ao extremo
A dona de casa Sônia Regina Miranda tem 40 anos. Há seis meses fez uma cirurgia para corrigir problemas na coluna e teve implantados parafusos no local. A operação foi considerada bem-sucedida e a impediu de parar em uma cadeira de rodas. Mas deixou uma sequela: dores que a atormentam dia e noite. Para minimizá-las, o médico receitou o analgésico Codex, normalmente usado por pacientes com câncer e que custaria R$ 200 mensais à mulher. Sem condições de comprá-lo, Sônia recorreu ao DRS-8 (Departamento Regional de Saúde). Seu pedido foi negado. Ela não sabe o que fazer. Diz que sente muita dor e tem de passar o dia deitada. Tem dificuldades para dormir e realizar os serviços domésticos. O marido é quem cuida de tudo. “Não estou vivendo, tem dia que dá vontade morrer. É muita dor, é insuportável”, reclama. Sônia chegou a pesquisar o preço do analgésico em farmácias, mas não pôde comprar porque a renda da família é de R$ 415. O remédio absorveria metade do dinheiro, que é destinado para comprar alimentos e pagar as contas de água e energia elétrica. “Nem a prestação do apartamento (ela mora no City Petrópolis) tenho pago. Tenho que gastar com o básico para a casa e nunca sobra para comprar o Codex”, afirma. A família de Sônia tentou, por diversas vezes, conseguir o remédio na farmácia do DRS-8. A última tentativa foi no dia 10 de março. Seu cunhado chegou a pegar uma senha e esperar pelo medicamento. Mas quando chegou sua vez, a resposta foi negativa. A atendente, segundo ele, disse que o medicamento está disponível na rede, mas não pode ser fornecido a ela porque seu caso não seria grave. A Secretaria Estadual de Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, foi além e disse, por telefone, que só fornece o Codex para pacientes com câncer ou com dor crônica, caso de Sônia. Mas ela teria de ter indicação de médicos do Centro de Dor. O problema é que unidade mais próxima de Franca é a de Ribeirão Preto, muito longe para quem mal consegue se locomover sozinha. [FOTO2] O “conselho” da Secretaria considera a situação de Sônia: como se fosse tudo muito simples, a indicação é que ela marque outra consulta com o médico que a atendeu, peça encaminhamento para Ribeirão, aguarde agendamento - que normalmente não é rápido -, passe por um novo exame e, aí, sim, com outra receita em mãos, retorne ao DRS para retirar o medicamento. SOLUÇÃO O secretário de Saúde do município, Alexandre Ferreira, disse que a situação é “inaceitável” e se dispôs a ajudar Sônia. “Ela ou um familiar podem me procurar na segunda-feira, na secretaria, que buscaremos uma solução. Ou eu mesmo peço ao Estado ou abrimos processo para comprá-lo”, disse Ferreira. Independente da postura do poder público, a população também pode ajudar. O telefone de Sônia é 9174-3290.

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