Nas esquinas, em público, crianças e adolescentes se drogam. Essa realidade, que a maioria finge que não vê, está acontecendo há muito tempo. Segundo o pai do menino de 10 anos que portava maconha na escola, o caso já é antigo. O PROREAVI já recebeu criança com 8 anos, usuário.
Há também aquela outra criança, de 4 anos, junto a pais que manuseavam e pesavam drogas para venda. Será que a idade a impede de entender o que estava acontecendo em sua frente?
Conforme a Organização Mundial da Saúde, a maconha causa perda de memória, diminuição da idade intelectual e direciona desastre total para quem está começando a vida. As seqüelas, na maioria dos casos, são irreversíveis. A maior incidência de usuários está na zona urbana. Atendemos, na entidade, jovens de todas as partes da cidade, inclusive do centro, aliás, local onde há mais crianças perambulando em busca de esmolas que, dadas, se tornam alimento ou droga. Se você que me lê acha que conseguir um prato de comida é mais fácil do que ter drogas, está muito enganado! Os traficantes fazem dessas crianças “aviõezinhos” e pagam com a droga, que irá lhes “matar a fome”. Ciclo cruel, não?
Nossas crianças e jovens estão cada dia mais envolvidas. Falta informação e orientação. Há, na maioria dos casos, despreocupação de pais, professores e da própria população. O próximo passo é a criminalidade. Alguns começam por curiosidade, por influência de amigos. Outros são “adotados” por traficantes que sabem os garotos dispostos a qualquer coisa para se livrarem da miséria.
É claro que a educação é a melhor forma de combate às drogas, mas o que fazer com aqueles que já estão doentes? Franca, até a presente data, não tem lares alternativos para crianças com idade superior a 12 anos. Se tivesse, que família alternativa iria querer crianças com problemas do tipo? Temos, no PROREAVI, um interno que passou por vários lares e em nenhum ficou. Ao primeiro sinal de problema, foi sempre devolvido para o órgão competente. Nossa associação atende hoje 3 adolescentes de 13, 14 e 15 anos. O tratamento é imprescindível para que a cicatriz que a droga deixa possa, ao menos, ser tratada.
Pesquisas sérias têm demonstrado a relação efetiva entre a violência que impera no País e o tráfico de drogas. E a dependência química é atestada pela OMS como doença epidêmica que mata. Quando andamos pelas ruas, vemos crianças se drogando e nos desviamos como se tivessem doença extremamente contagiosa, os sentimentos que nos acometem são medo e repulsa. Mas na verdade, o que ocorre é pré-julgamento. Imediatamente as tachamos de marginais. É mais fácil fingir que não fazem parte da nossa vida, da sociedade, que escolheram aquela vida.
Alguma vez você parou para saber sobre a vida daquelas crianças? Elas não têm quem as abrigue, pois as famílias não sabem o que fazer com elas. Quem tem um dependente químico em casa se desespera por não saber o que fazer para conscientizá-lo de sua doença. Não é como uma dor de cabeça para a qual se toma um remédio e passa. Há que se depender da própria vontade do dependente.
É nesta hora que temos por máxima obrigação ajudar. Chega de hipocrisia. Deixemos de colocar a culpa nos órgãos governamentais. Se cada um fizer uma parte pequena, conseguiremos tirar estes dependentes do fundo do poço e, com elas, a família e a população inteira. Se deixarmos o preconceito de lado e ajudarmos, conseguiremos combater o tráfico de drogas e, por conseqüência, o tráfico de armas que também matam os nossos jovens.
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