Reeleição, maligno retrocesso


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O Brasil vive hoje iludido e festivo com os bons resultados da economia. O governo ladino tenta capitalizar, mas não deve ignorar que o desempenho decorre, em grande parte, do bom momento internacional e principalmente de corajosos investimentos e sacrifícios do empresariado e de governos anteriores. Por isso, quem governa hoje não pode se descuidar de fazer a sua obrigação, para garantir prosperidade também no futuro. Da forma que agora colhemos os frutos do passado, nos próximos anos teremos a safra das ações atuais. Preocupa ver a distribuição demagógica e sem critério de benesses aos carentes em troca de votos, sem exigência de qualquer contrapartida do beneficiário e a sua inclusão social. Em vez de se preocuparem com os elevados índices de popularidade do presidente e sua “santificação política” com vistas às próximas eleições, os executores das políticas públicas deveriam se esforçar para que os beneficiários das esmolas oficiais ganhem autonomia e nunca mais precisem viver de favor. As “bolsas” deveriam estar atreladas a oportunidades concretas de estudo, aperfeiçoamento e colocação no mercado de trabalho. Quando ajuda o necessitado a matar sua fome ao que ninguém é contra, os órgãos governamentais deveriam trabalhar com afinco na outra ponta para criar-lhes emprego e condições de sobrevivência e inclusão econômica. Se não o fizerem, essa pobre parcela populacional continuará como massa de manobra, faminta e carente de ajuda sempre que acabar o dinheiro da esmola anterior. Tem de se executar o já surrado (apenas na teoria) “ensinar a pescar, em vez de dar o peixe”. Mas considerando-se que, para alguém poder “pescar”, há que se ter o “pesqueiro”. O dinheiro que hoje o governo arrecada aos borbotões é decorrente de investimentos feitos ao longo de décadas em pesquisa de petróleo, estradas, portos, hidrelétricas, indústrias e uma série de outros empreendimentos que tiraram o Brasil da condição de País tipicamente rural. A renda dessas aplicações de longo prazo não pode ser malbaratada em aventuras eleitorais de um homem ou partido que pretende se perpetuar no poder. O governo não pode continuar negligenciando suas obrigações Saúde, Transporte, Educação, Segurança Pública, Habitação, Assistência Social e outras -, pois arrecada uma fantástica montanha de impostos concebida para esse fim. Todo esse dinheiro público jamais poderá ser aplicado para alavancar candidaturas e, se isto estiver acontecendo, é crime eleitoral. Para os governantes, de todos os níveis, fugirem à tentação, o ideal é acabar com a nefasta reeleição para cargos executivos. Uma vez eleitos e empossados, quando saírem, todos os prefeitos, governadores e presidentes da República devem se tornar “eméritos”, jamais postulando o retorno à mesma posição. Isso dará mais seriedade aos governos e respeito aos governantes... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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