A sessão da Câmara, ontem, teve de tudo: discussões acaloradas, paralisações, vendedora de pizzas sendo retirada pela Guarda Civil e “ameaça” de utilização de arma. Entre as situações inusitadas, o presidente da Casa, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), normalmente alheio a qualquer tipo de embate, perdeu o compasso e chamou a delegada Graciela Ambrósio (PP) de “papagaio de pirata”. Foi o ponto alto da sessão. Irritada com a menção de Ribeiro, a vereadora rebateu à altura. “Também sei bater na mesa. Também sei puxar arma, senhor presidente”. Todos se assustaram. “Eu, hein?”, disse o contido Donizete da Farmácia (PMN). Logo depois da frase, a sessão acabou.
A briga começou quando era discutido o projeto de Graciela para a criação de um canal de televisão que transmita as sessões para a TV a cabo. Joaquim teve a mesma idéia tempos atrás, mas não conseguiu levar adiante, de acordo com ele próprio, porque a implantação ficaria cara. Ele, então, posicionou-se pelo adiamento da discussão. Graciela queria que a votação fosse ontem mesmo e foi à tribuna.
Em determinado ponto do discurso, foi cortada por Ribeiro. “A senhora não sabe o que está falando. Está lendo feito um papagaio de pirata”. Na hora, a vereadora pareceu relevar e se limitou a pedir respeito ao presidente, que conseguiu o adiamento da votação por uma sessão.
Minutos depois, aparentemente arrependida por não retrucar na hora, Graciela voltou à tribuna e disparou. “Essa agressividade não me assusta. Vejo isso na delegacia todos os dias. Também sei bater na mesa. Também sei puxar arma, senhor presidente (...) Vou representar contra o senhor no Conselho de Ética”. O silêncio reinou no recinto. Instantes depois, com a pauta de votações esgotada, a sessão foi encerrada.
RECUO
Joaquim Ribeiro, depois da sessão e mais calmo, disse que não queria ofender a vereadora, mas sim explicar que era necessário um estudo antes da aprovação do projeto, cuja implantação, segundo ele, custaria de R$ 8 mil a R$ 20 mil mensais. “Nós abandonamos esse projeto porque achávamos que a Câmara não tinha condição financeira”, disse. “Acho que houve um mal-entendido. Se eu fiz alguma coisa que a ofendeu, peço desculpas. Não era essa minha intenção, até porque sou favorável ao projeto”.
Sobre a representação por eventual quebra de decoro, Ribeiro disse que “acha legítima” e que tentará explicar que não quis ofender. “Minha posição é sempre a mais democrática possível. Imagine se eu ia ofender uma mulher”.
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