Franca conta com 78 moradores de rua espalhados por toda a cidade. A informação faz parte de uma pesquisa inédita intitulada “Pesquisa nacional sobre a população em situação de rua”, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome, divulgada ontem.
Participaram da pesquisa 71 municípios com mais de 300 mil habitantes em todo o Brasil. Franca aparece como a décima cidade com menor número de moradores de rua por habitantes. O percentual francano foi de 0,024% da população, ou seja, um morador de rua para cada 4.166 habitantes. A média nacional é 0,061% ou um morador de rua para cada 1.693 habitantes. A mesma média em Ribeirão é de um morador de rua para cada 1.241 moradores.
O objetivo do estudo foi traçar o perfil dos moradores de rua para elaborar um plano para atender suas demandas. Em Franca, a pesquisa foi realizada na primeira quinzena de outubro e envolveu 11 profissionais, que saíram a campo de madrugada ouvindo pessoas que estavam na rua e no Abrigo Provisório da Prefeitura.
O estudo revelou que a maioria absoluta destes moradores no Brasil (82%) são homens e 53% têm entre 25 e 44 anos. Cerca 52% disseram receber entre R$ 20 e R$ 80 por semana e 35,5% disseram estar na rua por causa de envolvimento com drogas e álcool.
Em Franca, a realidade se aproxima da constatada no País. De acordo com o responsável pelo Abrigo Provisório municipal, Adair de Carvalho Costa, apenas 12 dos 78 moradores de rua utilizam regularmente o espaço. Os demais preferem ficar nas ruas, principalmente na Estação e nas praças próximas ao Cemitério da Saudade e da Padaria Estrela, por causa da bebida e das drogas, que são proibidas dentro do abrigo.
Outro motivo bastante comum para a vida nas ruas são as desavenças familiares. Este é o caso de Luís Carlos, um baiano que está há quatro meses no albergue. Com a perna engessada, ele comenta que foi parar no Abrigo Provisório após sofrer um acidente de moto. Brigado com a mulher, desempregado e sem lugar para ficar, a psicóloga recomendou que ele fosse para o abrigo e lá ficou até hoje.
Agora não sabe o que será do seu futuro. “Se não fosse isso aqui, não sei o que seria. Este é o único recurso que tenho”.
Carvalho diz ainda que morar na rua é uma escolha para boa parte deles, que preferem pedir dinheiro a trabalhar. “Tem muitos que me falam: para quê eu vou trabalhar como servente de pedreiro e ganhar R$ 30 por dia? Eu não preciso disso. Eu consigo isso em duas horas”. Uma das razões para isso seria a generosidade do francano. “Em Franca, o pessoal é muito bom para doar as ‘coisa’. Eles ‘mesmo’ falam: aqui, eu como melhor do que em casa”. Disse o responsável pel abrigo.
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