Os irmãos Amanda Pinto, 11, Wanessa Cristina, 9, e João Victor Fradique, 7, foram abandonados pelos pais, usuários de drogas, há seis meses. Desde então, vivem com a avó materna, Arlete Inácio Teixeira, e seu companheiro, José dos Reis Teixeira, que é tratado pelas crianças como avô, numa casa simples do Jardim Esmeralda, na região oeste de Franca. Com uma renda de R$ 180, a família passa por necessidades e as crianças pedem por roupas, material escolar, cesta básica, carne, leite e em especial, uma lasanha e um pudim, desejos particulares das duas meninas. O menino disse gostar de mandioca.
Na casa de cinco cômodos apertados, há ainda outras duas pessoas, tios dos irmãos. O lugar não tem pintura, piso e é carente de conforto, mas mostra-se organizado. O menino e um tio dormem num quatro. As irmãs e uma tia no outro. O casal fez um “puxadim” no fundo da casa e é lá que descansa.
Boa parte dos alimentos e das roupas que vestem veio de doações de desconhecidos e vizinhos. Foi assim com as últimas cestas básicas ganhadas no Natal, mas que já acabaram. Na cozinha, dizer que falta tudo não é exagero. Na geladeira, apenas água. No almoço de ontem, arroz e feijão somente. Nada de acompanhamento. A última mistura foi no domingo, quando ganharam um frango. Carne e leite são vistos como artigos de luxo. Por falta de dinheiro para comprar gás, a família utiliza lenha para fazer o pouco da comida que tem. Na parede da sala, seis talões atrasados de água estão pendurados numa prancheta à espera do pagamento. A energia elétrica da casa foi cortada.
Apesar das dificuldades enfrentadas, as crianças não querem voltar a viver com os pais e evitam falar do passado. Dizem gostar mais da casa da avó. Atualmente, é ela que tem a guarda provisória dos pequenos. Amanda Cristina, a mais velha, lembra que quando ela e os irmãos moravam com os pais sofriam com as bebedeiras do pai. “Ele chegava bêbado batia na minha mãe, acordava a gente e todo mundo apanhava. Ele vendia o que tinha dentro de casa para comprar droga”.
O avô postiço, José dos Reis, não sabe de quem tem mais dó, das crianças ou dos pais, mas acha que a situação dos adultos é pior. “Eles estão num mundo de perdição. Nem ver os filhos eles vêm. Já jogaram fogo na casa e machucaram as crianças com a faca. Não sei como estão vivendo”.
Para ele, mesmo com as necessidades enfrentadas para sustentar a casa, entregar as crianças para a adoção está fora de cogitação. “Isso nem passa pela nossa cabeça. Topo fazer tudo por elas, nunca pensei em entregar para alguém cuidar”, disse.
José dos Reis e Arlete sustentam a casa com o trabalho de limpar rolos de fitas isolantes. O material final é enviado para uma fábrica que o utiliza na produção de solas. Para cada um quilo de fita retirada, o casal ganha R$ 0,15. “Precisamos trabalhar bastante. Quando dá, também faço bicos de pedreiro. O que aparece eu aceito pensando na comida deles (das crianças)”.
Na esperança de ver dias melhores, a família também deseja que o dinheiro do Renda Cidadã, antes enviado para a mãe seja passado para a avó. “O cartão foi cancelado porque era ela quem usava, mas como agora estou com eles, o benefício poderia vir para nos ajudar”, disse Arlete.
Quem desejar ajudar as crianças, elas moram na Rua Francisco Maritan, 261, Jardim Esmeralda.
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