Quarenta e dois dias após o crime, terminou a caçada ao acusado de assassinar o aposentado José Rodrigues Pizani, 77. A equipe de homicídios da DIG prendeu ontem o desocupado Kauê Vianna Domene, 21. Parente da vítima, ele confessou o crime e alegou que pretendia apenas bater em “Zezinho”. Disse que teria sido abusado sexualmente quando criança.
O aposentado morava sozinho na Rua Prudente de Morais, Cidade Nova, e foi encontrado morto dentro de casa na manhã de 18 de março. O corpo estava no corredor da cozinha em meio a uma poça de sangue. Sobre ele, um cobertor banhado em amaciante de roupas. O assassino usou o produto para disfarçar o odor e dificultar o encontro do cadáver. O crime brutal causou comoção. A vítima foi esfaqueada e levou pauladas.
Desde o início, as suspeitas dos investigadores se voltaram para Kauê. Morador na mesma rua, ele é considerado pela polícia como suspeito de vários crimes ocorridos no bairro. Sobrinho da falecida mulher da vítima, tinha livre acesso à residência. Apesar das evidências, faltava uma prova que o ligasse ao crime.
A vistoria do local do crime por parte dos investigadores e o trabalho de peritos da Polícia Científica foram decisivos para a elucidação do caso. “Após o assassinato, o autor tentou levar um aparelho de som e um DVD, que foram deixados no porta-malas do carro da vítima. Os aparelhos foram periciados e se constatou que havia impressões digitais. Analisadas em São Paulo, elas deram positivo para o Kauê”, contou o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Com base no resultado do laudo, a Polícia Civil pediu a prisão temporária do acusado à Justiça. A ordem foi dada há 15 dias. Como Kauê não foi encontrado, o delegado responsável pela equipe de homicídios, Márcio Garcia Murari, decidiu manter a informação do esclarecimento do crime sob sigilo para não afugentar o acusado.
Nas duas últimas semanas, os investigadores Lucas e Vinícius checaram quase uma dezena de endereços - casas abandonadas e de colegas de Kauê - em Franca e cidades da região. As buscas se encerraram ontem à tarde no Jardim Planalto. “Ele estava caminhando em direção a um estabelecimento comercial, quando foi surpreendido. A nossa ação foi rápida e não permitiu que reagisse”, afirmou Lucas. No momento da prisão, Kauê usava uma camiseta branca da vítima.
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O suspeito foi conduzido à sede da DIG e admitiu ter assassinado “Zezinho”. Entrevistado pelo Comércio, disse que sua intenção não era matar. Teria agido sob influência de drogas. “Fui lá só com a intenção de bater nele. Por motivos familiares, vingança”. Em depoimento à polícia, alegou que, quando tinha entre nove e dez anos, teria sido violentado pela vítima. Lembrado das supostas agressões poucos dias antes por “Zezinho”, decidiu matá-lo.
O acusado teve a prisão temporária decreta por 30 dias, mas a polícia pedirá sua preventiva para que aguarde o julgamento preso. Como levou objetos, cheques e dinheiro da casa, foi indiciado por latrocínio.
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