Interagir com pessoas desconhecidas, ficar em um estúdio por horas, fazer plantão em feriados e fins de semana e, em contrapartida, ser fundamental no dia-a-dia de milhares de ouvintes, mesmo que nunca os tenha visto. Essa é a rotina do radialista.
A jornada de um profissional de rádio costuma ser agitada. Nas emissoras AM, privilegia-se a informação e a interação com os espectadores. “O locutor tem mais espaço para argumentar, discutir os assuntos e conversar com o ouvinte no ar”, afirma Rodrigo Pepeu (foto abaixo, de fones de ouvido). Ele tem 23 anos, trabalha na Rádio Três Colinas e atua na área há dez anos. Por conta disso, a cobertura jornalística é mais completa, o que demanda mais preparação. O radialista e diretor artístico da Difusora AM, Everton Lima, 49 anos, que trabalha desde os 9, conta que é preciso estar preparado para tirar as dúvidas dos ouvintes. “Se vou fazer o programa de uma hora e meia, à tarde, fico duas horas me preparando. Na rádio AM, há uma produção maior”.
Já na FM, o trabalho é puxado e é comum que o locutor acabe acumulando a função de operador de som. A transmissão é mais dinâmica e requer habilidade do radialista. “A rádio FM é mais musical”, conta Everton Lima.
Quem faz rádio, não o faz por dinheiro, mas sim por paixão. “É uma profissão fantástica, uma vida”, revela Lima. Mas começar requer sacrifício. O salário inicial para uma jornada de cinco horas está em torno de R$ 630 a R$ 1.260. Em alguns casos, quando o expediente é menor, são fechados outros tipos de contrato.
Principalmente na rádio AM, é possível atuar como narrador esportivo, operador de som, produtor musical ou discotecário e produtor de gravadora - que é responsável pela “plástica”, ou seja, o som que dá o “clima” para a locução. “Narrador de futebol é uma coisa que está difícil de aparecer, temos poucas revelações nos últimos anos”, analisa Lima.
Para iniciar na profissão, é preciso estudar. Atualmente, um radialista só consegue o registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) se fizer um curso de capacitação. A dica, para quem não quer sair de Franca, é matricular-se em um curso técnico de radialista pelo Senac ou superior de comunicação social pela Unifran. Depois de matriculado, o aluno deve fazer contatos com as rádios para tentar um estágio. Segundo o radialista Alex Henrique, 30 anos, “esse é o melhor caminho para quem quer começar na profissão”.
Um futuro radialista deve também estar atualizado o tempo todo e deve aprimorar a principal ferramenta de trabalho: a voz. “Eu comecei me inspirando nas pessoas que já atuavam, me corrigindo e me espelhando nos bons profissionais”, afirma Rodrigo Pepeu.
Atualização também é uma palavra-chave para quem pretende optar pelo radialismo. Everton Lima, que costuma estar ligado desde as 4h30 para ouvir as principais manchetes dos jornais, aconselha os mais novos. “Leia o maior número de jornais por dia, veja os telejornais à noite, afinal você nunca sabe quando o ouvinte vai te pegar no contrapé. Se vou para o banheiro, o rádio está comigo”.
O mercado de trabalho em Franca é um dos mais promissores do interior paulista. Existem na cidade oito rádios - cinco AMs e três FMs. Além disso, Franca tem se notabilizado pela revelação de bons radialistas, tanto os mais antigos (veja quadro ao lado) quanto a nova safra.
O radialismo existe no Brasil há mais de 80 anos, desde a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, por Roquette Pinto. O rádio sobreviveu à criação da TV e da Internet e ainda é um meio de comunicação muito importante para as sociedades em que atua. Por isso, precisa de profissionais competentes, que saibam se comunicar de maneira acessível ao grande público e tenham apurada habilidade de improvisação.
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