Disputa entre desiguais


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Agora em maio, haverá inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Na prova de 2007, houve uma sensível melhora na classificação da rede escolar municipal e estadual. Uma reportagem deste Comércio evidenciou também uma leve vantagem na pontuação das escolas de Franca sobre as ribeirão-pretanas. Comparar o desempenho de alunos das escolas particulares com os da rede estadual ou municipal de ensino equivale mais ou menos a observar o resultado de um torneio de futebol entre as equipes participantes da fase final do Campeonato Paulista, nas séries A1, A2 e A3. A lógica não seria outra: nos primeiros lugares estariam os times da primeira divisão, seguidos pelos da intermediária e nas últimas colocações apareceriam os co-irmãos da Francana. Para inverter essa suposta classificação, só mesmo uma zebra, animal este que não pasta no campo da educação. Nesta área, o resultado final depende mesmo do preparo adequado do estudante. Não adianta contar com a sorte, muito menos com erro do juiz, ou melhor, do examinador. A prova de redação, por exemplo, contempla somente aqueles que conseguem escrever razoavelmente. Embaixada nenhuma é contada como se fosse gol. A nota sai mesmo é do arranjo coletivo das palavras. Assim, o aluno de escola particular tem muito mais oportunidades. Além de a maioria somente estudar, conta ainda com mais recursos educacionais e dispõe de toda uma infra-estrutura de reforço escolar, com plantões para tirar dúvidas. Por este ângulo, a diferença de 14 pontos, entre o primeiro colocado na área privada de ensino e na rede pública, não é tão significativa. A Escola Municipal “Profª. Nair Martins Rocha” fez quase 53 pontos no Enem, ficando em primeiro lugar da rede do município, seguida pela Escola Municipal “Prof. José Mário Faleiros”. Ambas funcionam somente no período noturno, com cursos de duração semestral e seus alunos trabalham durante o dia. As duas melhores pontuações da rede estadual chegaram a 56 pontos. A diferença entre município e Estado é justificável, porque as Escolas Estaduais “Prof. Mário D’Elia” e “Profª Ana Maria Junqueira” têm alunos no período diurno e a duração do curso é anual. A mescla diurno/noturno proporcionou um melhor índice de aproveitamento, pois aluno do dia dificilmente trabalha, podendo se dedicar mais aos estudos. Antônio Araújo Professor de redação. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br

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