Ao “quebrar o galho” de Ribeirão Preto e receber os criminosos pegos em flagrante naquela cidade, a polícia de Franca também importou uma grande dor de cabeça. Revoltados com as constantes transferências e com a falta de condições adequadas dos cárceres, os presos “nômades” que estão recolhidos de maneira improvisada no Plantão Policial já deram o “salve” e avisaram: se a situação não melhorar, vão colocar fogo nas celas da delegacia localizada no Centro. Seria uma forma de chamar a atenção para o problema que estão enfrentando.
Como o CDP da cidade ficou destruído em função da rebelião ocorrida dia 11, a polícia de Ribeirão Preto não tem onde colocar seus presos. Ficam detidos nas delegacias ou removidos para municípios vizinhos. Na noite de sexta-feira, Franca recebeu 14 destes detentos. São assaltantes e traficantes.
Foram colocados em duas celas existentes nos fundos da DIG com entrada pelo Plantão Policial. Normalmente, são usadas por poucas horas por criminosos detidos em flagrante na cidade durante o plantão e que aguardam a remoção para a cadeia do Guanabara. Por causa dos novos hóspedes, o espaço foi adaptado e ganhou chuveiros e colchões. O local não tem pátio.
Preso acusado de tráfico em Ribeirão, Igor Rafael Pereira Oliveira, é um dos que estão recolhidos na cadeia improvisada. “Aqui não temos banho de sol e somos obrigados a ficar o tempo todo trancados. Só hoje (ontem) é que ligaram a luz e esquentaram os chuveiros. Não podemos receber visitas. A alimentação é insuficiente. Não queremos mordomias, mas apenas o nosso direito de ficar em local adequado”.
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O detento conta que, nos últimos 15 dias, teria passado por duas delegacias de Ribeirão Preto e pela cidade de Cássia dos Coqueiros. “Não temos paradeiro. Até parece que estamos de trânsito e que devemos muito. É como se fosse um RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Não temos banho de sol e tivemos de comprar o café da manhã. Fomos ganhar um colchão há quatro dias. Todos os dias cedo temos de estressar com os guardas e ameaçar de por fogo no DP para chegar um café. O pessoal dos direitos humanos precisa dar uma olhada na nossa situação”, disse Pedro Henrique Ansini, preso por porte de arma.
Além do improviso nas celas do plantão, os presos reclamam que a distância para Ribeirão impede a vinda de visitas e encarece os honorários dos advogados, tornando impossível a assistência jurídica. “Não fomos nós que destruímos o CDP, mas estamos pagando por isto. Deste jeito, vamos ter que apelar e tomar providências. O negócio é meter fogo nos colchões. Só assim, para eles atenderem a gente. Está frenético ficar dentro desta cela”, finalizou Igor.
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