Sonho aos pedaços


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DESMORONANDO - As rachaduras na casa do pespontador Paulo Estevam Diniz já duram dois anos. Ele pede providências
DESMORONANDO - As rachaduras na casa do pespontador Paulo Estevam Diniz já duram dois anos. Ele pede providências
O sonho da casa própria para as famílias que residem no Conjunto Habitacional do Jardim Panorama pode se tornar um pesadelo, caso providências não sejam tomadas quanto aos problemas estruturais que grande parte das casas do bairro apresentam. Os mutuários convivem, há pelo menos dois anos, com rachaduras, esfarelamento da pintura e do reboque, infiltrações nas paredes, pisos que se soltam, além de problemas de instalação hidráulica e elétrica. Pelo menos 50 casas, das 320 construídas no local, através do PAR (Plano de Arrendamento Residencial) da Caixa Econômica Federal, entre 2004 e 2005, apresentam falhas, segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, André Szabo. “Tudo isso que acontece aqui é vício de construção. As normas técnicas não foram respeitadas pela construtora, gerando estes problemas”, disse. “Todas as casas que visitamos estão com alguma anormalidade”. [FOTO2] Os moradores identificaram os primeiros sinais de falhas nas moradias alguns meses após a mudança. As primeiras famílias ocuparam as casas em 2005 e, pouco tempo depois, já começaram a notar as rachaduras ou infiltrações. Foi o caso do pespontador Paulo Estevam Diniz, 27. Contemplado com uma das unidades, tem convivido diariamente com trincas na parede de sua sala que chegaram ao lado externo da construção. “As rachaduras apareceram há menos tempo, mas, desde os primeiros meses, tem infiltrações”. Paulo acredita que a rachadura horizontal que existe em quase toda a extensão de uma das paredes seja provocada por falhas na terraplanagem. “A construtora não deve ter compactado corretamente o solo, e por isso os problemas estão acontecendo”. Outro transtorno enfrentado pelo pespontador foi a queda do muro construído por ele, derrubado por um temporal no ano passado. O alicerce feito pela construtora das casas não foi suficiente para sustentar a construção, que caiu com a ação da natureza. Outra moradora que enfrenta problemas em sua residência é a dona de casa Andressa Maria Tarantelli Cintra, 26, que reside há dois anos no bairro. Com a esperança de fugir do aluguel, conseguiu uma moradia através do PAR, mas o sonho vem se transformando em aflição com os inúmeros problemas em sua casa. “Desde o primeiro momento, já notamos que alguma coisa não estava certa. As infiltrações apareceram nos primeiros meses”. A residência de Andressa apresenta marcas de bolor em todos os cômodos, rachaduras na parte externa e o reboque desmancha com facilidade ao toque das mãos. O que incomoda mais a dona de casa é a instalação elétrica, que já lhe causou prejuízos. “As tomadas não funcionam direito e sempre soltam faíscas quando ligamos os aparelhos. Perdi uma geladeira por causa disso. Fui obrigada a comprar outra”, lamentou. Cansados dos problemas, os moradores denunciaram o caso à Promotoria da Habitação, que abriu um procedimento investigatório para apurar se houve irregularidade na construção das casas. Procurados para comentar as queixas, os donos da empresa responsável pelo conjunto habitacional não foram encontrados.

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