Pela primeira vez desde o desastre, Valmir Borges, o motorista do caminhão, aceitou falar publicamente sobre o caso. No dia do acidente, reservou-se ao direito de dar explicações somente à polícia. Ele quebrou o silêncio na noite de quinta-feira. Direto de Patos de Minas (MG), onde mora, atendeu à reportagem por telefone. Estava em casa e, pela voz, aparentava abatimento. Foi curto nas respostas e contou que sua rotina também mudou desde o dia 28 de março. Acostumado a cruzar estradas dirigindo seu caminhão, hoje, não quer nem ouvir falar em volante. Nunca mais voltou para buscar sua carteira de identidade na delegacia de Pedregulho, onde informou aos policiais receber R$ 690 mensais de salário. Saiba o que ele sente, o que está fazendo e o que gostaria de dizer aos familiares das vítimas.
Comércio da Franca - O que aconteceu naquele dia?
Valmir Borges - Ah, para te falar a verdade, nem quero pensar naquilo mais. Estou pelejando para esquecer. A gente fica preocupado, né? Estou sempre pensando.
Comércio - Você perdeu os freios, o controle? O que foi que aconteceu?
Borges - A respeito disto aí eu não vou te falar nada, não. Não tenho nada para te falar.
Comércio - Acha que sua prisão era necessária?
Borges - Uai, questionar aquilo como? Eu não vi motivo. Não entendi aquela não.
Comércio - Como está sua rotina depois do acidente?
Borges - Estou quieto mesmo. Não estou trabalhando. Para não ficar parado e pensando, vou sempre lá na firma. Rapaz, não quero mexer com isto (caminhão) mais, não. Acho que aquilo lá (desastre), vou demorar para esquecer. Convivo com isto diariamente.
Comércio - Você sonha com o acidente?
Borges - De vez em quando. Estou tomando remédios controlados e fazendo tratamento. Está difícil. Estou abalado e a parte psicológica está ruim.
Comércio - O que você gostaria de falar para as famílias das vítimas?
Borges - Que eles tenham Deus no coração, que sejam confortados. Ninguém tem a intenção de fazer uma coisa daquelas. Eu fico aqui rezando com minha esposa, com minha família. Mandamos celebrar uma missa aqui por intenção das pessoas que morreram e para seus familiares. Não foi intencional. Quem dera que a gente pudesse voltar atrás.
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